Domingo, Novembro 15, 2009

Invitation

Hello, freaks, let’s wave to the boats!!

The most representative backpacker from Bahia (Brazil), better known as a lying asshole and so full of shit, is leaving Aussieland in less than 5 days, with his heart utterly broken – truth be told. Therefore, If you are his very close friend or, even better, a completely unknown fucker, come over to the most famous and desired place in Brissy: P4, this saturday night!!! It will be the fucking huge farewell party of the historical figure mentioned above. But don’t come with excuses, such as "I got a stomache" or “You know, I gotta get the stamp of The Met. Maybe, I’ll have a look there”. After all, your presence is more than expected: you are the main star of this great experience called AUSTRALIA! But If you are a geek and you haven’t a clue about where the P4 is, I’ll give you a hand: it’s located on the Queen St, 540, Willahra Tower, in front of the Marriott Hotel. By the way, bring your own drink. That’s it!

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Tempestade de poeira


Life on Mars

O Estado do nascer do Sol amanheceu irreconhecível nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2009. Uma tempestade de poeira encobriu o céu de Queensland a partir do início do dia, substituindo o tradicional azul celeste por um marrom escuro e obrigando o comércio a fechar as portas mais cedo. Em Brisbane, às 9h30 já se observava no horizonte os efeitos dessa tempestade, a mais extensa e densa vista nos últimos quarenta anos, conforme especialistas locais.

Em Sydney, capital de New South Wales, as consequências foram ainda maiores. O fenômeno climático, que assumiu tonalidade avermelhada na maior e mais importante cidade australiana, fez com que os aeroportos interrompessem suas atividades por tempo indeterminado. Nas ruas, o que se tem visto ao longo do dia é um desfile de máscaras, jaquetas e casacos utilizados pela população para proteger-se das 16 mil toneladas de poeira que a cada hora são carregadas pela tempestade.

De acordo com a imprensa australiana, o fenômeno, que abrange uma área que vai da capital Camberra à Mackay, no norte do País, tem origem em ventos de mais de 100 km/h oriundos do Outback, região desértica localizada no centro da Austrália. Para os residentes de Brisbane, conforme publicado no jornal MX, a tempestade transformou a cidade em um cenário de ficção-científica.

“Dead set, it looks like Doomsday or something out of science fiction, there’s this orange iridescent light. It’s like watching Independence Day or War of the Word’s. It’s an eerie, eerie thing… and I feel like having a shower”, disse um dos residentes ao periódico supramencionado, que estampou em sua matéria de capa a manchete Life on Mars.

Gabriel Pondé, de Brisbane (AUS), comendo poeira



As fotos abaixo registram o Kangaroo Point, Spring Hill e o centro da cidade, respectivamente, do ponto de vista de meu flat, na esquina da Queen com a Adelaide Street.


Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Birthday

22 bucks, 27 anos and one feeling

Completarei duas décadas e sete anos de vida dentro de algumas horas. Prazo insuficiente, em verdade, para resolver um dilema: como comemorar a data se somente 22 dólares australianos aparecem em minha conta bancária? Antes de qualquer coisa, porém, recuemos alguns dias e uns poucos eventos sem importância.

Há uma semana, joguei pra cima meu trampo de *Cleaner. Foram exatos cinco meses e duas semanas lidando, literalmente, com merda, precedidos por um mês de experiência na função de *Glassie, em uma balada latina chamada Alhambra Lounge. Tomei essa decisão, que pode ser considerada preciptada por alguns (leia-se: meu pai), porque já não estava suportando mais a pressão por parte de minha supervisora, um típico exemplar da cascagrossice from Down Under, ostentando um único dente e enormes seios beirando a cintura. Por conta disso, perdi a conta de quantas vezes quis mandá-la à merda. Só agora, após oito dias na condição de desempregado e sem direito a receber o meu último salário - já que inadvertidamente abri mão do emprego -, é que me dou conta: aquele diabo de meia-idade, travestido de ser humano, não precisa ser mandado à merda, ele já trabalha lá.

Foi um alívio – digo, ter largado o submundo dos cleaners. Agora, tenho tempo de sobra para estudar (sim, a Austrália não é somente crazy and beautiful, gorgeous Aussie girls!), apreciar com calma Brisbane (capital do Estado de Queensland e terceira maior cidade do País) e, por que não, descansar. Afinal, lembre-se meu cumpade e minha cumade, vinte e sete anos não são vinte e sete dias. Estou ficando velho. Tempo de sobra também para escrever algo sobre minhas impressões relativas a esses oitos meses morando fora do Brasil.

Adianto que, apesar da saudade claustrofóbica que bate – de vez em sempre - dos amigos, da família e dos hábitos e costumes brasileiros, não tenho do que reclamar. Essa experiência tem sido (perdoe a falta, no momento, de uma figura de linguagem melhor) como sonhar acordado. Moro num flat em pleno centro da cidade e disponho de academia, sauna e piscina particular. Por aqui, a propósito, já passaram quatro coreanos, uma tailandesa, um português, um chileno, sete brasileiros e oito franceses. Em minha escola (Global Village English Centres), onde, atualmente, participo do curso Cambridge Preparation, também lido com gente de todos os cantos. Há dois dias, nós nos reunimos, juntamente com alguns professores, para jogar rugby no Botanic Garden, um amplo espaço público, localizado em frente à QUT (Universidade de Queensland). Não é que o negócio presta!

Mas o ponto alto de minha estadia no território dos marsupiais são as mulheres. Nunca pensei que fosse encontrar tantos espécimes de rara beleza e graciosidade concentrados em um único lugar. Mesmo as asiáticas, com seus olhinhos puxados, começam a despertar o meu interesse. Todavia, continuo fiel às belas morenas. Que me perdoem as australianas de olho claro, mas uma brasileira cor de jambo tem o seu lugar!

O que não falta, pelo visto, é assunto. Eu poderia passar horas e horas reportando minhas experiências e impressões, em princípio. Mas tempo é dinheiro, já sabia a humanidade, desde o homem das cavernas até o senhor Sílvio Abravanel, passando por Adam Smith. No caso em questão, pouquíssimo dinheiro: 22 dólares australianos.

“Que zorra eu faço?”, indaga minha consciência, enquanto preparo o almoço, utilizando os últimos itens de minha mais recente compra de supermercado. Dá-se um jeito, diria minha mãe. Vinte e sete anos. A partir dessa idade até um jeitinho começa a ficar mais difícil pra dar, deveriam saber as mães. Estou ficando velho. Ouço uma música na televisão. É o que me dá ânimo: “I’ve got a feeling that tonight is gonna be a good, good night”.

Gabriel Pondé é jornalista e ex-cleaner

*Cleaner = It means full of shit.
*Glassie = the same meaning as the description above.

Domingo, Agosto 30, 2009

Essay


Who tells us the truth?
Comparisons and contrasts of the New Journalism and conventional journalism

L
iterary fiction and journalism are two things totally differents from each other. Is that right? In opinion of some journalists and writers, such as Tom Wolfe (The Right Stuff, 1979), Gay Talese (Thy Neighbor’s Wife, 1980) and Hunter S. Thompson (The curse of Lono, 1983), it’s a big mistake to be told and what they would probably say, in this case, is that journalism is definitely allowed to borrowed some fiction elements. In other words, their ideas supports the New Journalism, a style of 1960s and 1970s news writing and journalism which used literary techniques deemed unconventional at the time.

However, if they say that journalistic practices are able to use some elements from literary fiction, what are the differences between conventional journalism and the New Journalism? Well, this essay explores, therefore, some points of view and definitions toward the issue in question, approaching, moreover, contrasts and comparisons between the two types of journalism mentioned above.

To understand exactly the similarities, nevertheless, it is needed to emphasize in which way the two categories of journalism present distinctions, firstly. While, for example, the daily and traditional way of delivering news is based on very strict principles, such as objectivity, independence and impartiality, the New Journalism’s reporting style has always a point-of-view, presenting every scene through the eyes of a particular character. Three other narrative devices applied by the New Journalism to factual reporting are scene-setting, dialogue and status detail.

Another difference pertains to the type of mass media that is generally used. Articles in the New Journalism style tended not to be found in newspapers, but rather in magazines, such as The Atlantic Monthly, Esquire Magazine, New York Magazine, CoEvaluation Quarterly, The New Yorker, Rolling Stone and, for a short while in the early 1970s, Scanlan’s Monthly. In comparison, the conventional journalism is more common in TV news and newspapers.

In spite of the description above, the two types of journalism have some features in common. One of them is the visceral use of the interview (probably the most important journalistic instrument), even though the New Journalism employs it in a methodic and more accurate way. Moreover, both kinds of journalism - despite the fact that they diverge in some points and approachings - share the same purpose: to be faithful to the facts, always telling the readers the truth, no matter how much it might cost.

The history, by the way, is replete of cases in which journalists sell their soul to the devil to keep investigating and, as result, to publish their reportings. A perfect example of this is the Watergate case, probably the most famous story in American investigative journalism history.

According to James M. Perry (n.d.), Watergate led to impeachment hearings, President Nixon’s resignation from office, and a spate of new political ethics laws. To him, it also had a tremendous impact on the practice of investigative journalism. Based on this case, two best-selling books were written by the journalists involved in it, Bob Woodward and Carl Bernstein, and a popular movie called “All the President’s Men” (1976), starring Robert Redford and Dustin Hoffman, was made from it.

Another example is the book “In Cold Blood”, written by Truman Capote. It is a great nonfiction report about the savage murders of four people. Capote, actually, went out and investigated all aspects of the murder, capturing every moment of the crime. Instead of just cold facts and impersonal information, Capote, however, chooses to break away from the norm, telling the story in an engaging, suspenseful novel format. He brings the murderers to life, which means that they are not just characters in a story; they are actual people with emotions and with feelings.

Summarily, as you could see, the New Journalism is not fiction, because it maintains elements of reporting, including strict adherence to factual accuracy and the writer being the primary source. Actually, it has tried to create a new style in terms of writing and information collecting. In conclusion, it’s clear that the New Journalism, therefore, is not just a type of journalism, but one of the most important literary and journalistic manifestations of the last century. Furthermore, the similarities between the two kinds of journalism, despite the differences, show us that, as much as the traditional way of reporting facts, the New Journalism is serious, trustable and credible. So, at last, who tells us the truth? Both of them. This is the truth.

Author: Gabriel Pondé

Bibliography:

Beutller, B. (1984). Whatever Happened to the New Journalism?
Retrieved August 04, 2009, from billbeutller.com

Bernstein, C., & Woodward, B. (1994). All the President's Men, New York: Touchstone paperback.

Perry, M. J. (n.d.) Watergate Case Study.
Retrieved August 08, 2009, from www.columbia.edu

Domingo, Agosto 09, 2009

Survey

Abstract


Twenty female Australia respondents were surveyed about their impression toward foreign guys. Results indicate that they are well regarded by Aussie girls, in particular if they come from the Old Continent: Europe. Plus, they were pointed out to be polite and good kissers. Their good manners were underlined, as well. The unique weak point emphasized was the difference between cultures, which has been identified as an obstacle sometimes to initiate a serious relationship.


1. Background

The experience of living abroad has been becoming more and more commonplace during the last decades, principally from the beginning of this millennium. Australia, by the way, is one of the most desired countries to visit and to live in by people who would like to learn English. Consequently, the land of the kangaroos is nowadays a multicultural place, where you can find people from all over the world and - who knows - your perfect love. It's useful then to know the Aussie girls' impression about foreign guys, because the type and levels of relationships are modifying faster than in the past and, therefore, a serious research project about social behavior can help to developed a better understanding about relationships in current society.

2. Aims

The main purpose of this research was to discover Aussie girls' impressions about foreign guys. The first aim was to investigate if respondents like foreigners or no and if so, their preference regarding nationality. Secondly, the aim was to find out which personal characteristics are more attractive. A final aim was to look at the reaction of an Aussie family towards a foreigner.

3. Method

3.1 The sample

The sample size was 20. The survey was carried out with respondents of a variety of age and socio-economic backgrounds. They were all female and residents of Brisbane city.

3.2 Data Collection

This was collected through the use of a questionnaire. Firstly, the questions were trialled with a sample of 10 people on Queen Street, Brisbane. Once approved, the questionnaire was trialled again with the second half of respondents. The survey consists of eleven questions.

4. Findings

4.1 Findings regarding preference

As coincidently every respondent is straight, the first most relevant question to show the results is about their preference in picking up. Sixteen of the respondents affirmed that they prefer foreigners instead of Aussie guys. Most of them (90%, to be precise) gave as their answer the fact that the foreigners, speaking in general, are well known by their skills as good kissers. Moreover, eight respondents indicated, as an important aspect, their politeness and good manners. On the other hand, the rest of the respondents (that chose Aussie guys as predilect) underlined English ability as a strong point on the decision.

To those who prefer foreign guys, more than the half said foreigners who come from Europe are the favorite, especially if they are from Italy, France and Spain. The second preference is South America, followed by, very close, Oceania. Brazil, curiously, was quoted four times. No one mentioned Asia, nor Africa. North and Central America were quoted twice and once, respectively.

Physical appearance was the fifth point investigated. Among the respondents that chose a foreigner as preference in terms of picking up, the majority (68%) think that “it's more about a combination between attributes”. Only three (18%) indicated “very relevant” as answer and just two (12%) chose “I don't care at all”.

However, when they were queried about what is more an attractive in a foreign guy, the survey showed variety of answers. With 31% of the votes for each one, “accent” and “skin colour” split the preference, while “cultural habits” and “physical appearance” were indicated three (18%) and (12%) two times, respectively. Just one respondent chose other characteristics.

At last, the survey discovered that fluency in English is not so important. This because no one chose the option “very fluent” when they were asked “How fluent in English do they have to be?”. In fact, the responses varied between the alternatives “Intermediate level is enough” (56%) and “I don't care” (44%).

4.2 Finding regarding behavior

Asked if, in case they have a “friendship with benefits” with a foreigner, they would introduce him (her) to their family, all of respondents gave a positive answer. To justify this, most said that there’s no problem to present anyone to their family, because Australia is a multicultural society.

About the last question, another unanimity: all of them said that there’s no problem or impediment in get married with a foreigner.

5. Conclusion

5.1 Commentary

During four days, I investigated opinions about Aussie girls’ impression towards foreign guys in Brisbane. At first, it wasn’t easy, because the subject was considered a little polemic and strange by most of the respondents. However, all of them were polite and answered the questionnaire in an attentive way. Few people refused to answer.

5.2 Final Considerations

On the contrary to what most people might conceive, foreign guys are well regarded by Aussie girls, according to the survey. As a result, this reporting shows that prejudice and xenophobia are becoming more and more an anachronological problem to the current Australian society, in particular to the new generation. Briefly, it means that some social barriers are falling down, which is a great victory to the all sorts of social relationships and, why not, to the diplomatic relations between governments around the world.

Reporting: Gabriel Pondé

Queensland, the Sunshine State

"Beautiful one day, perfect the next"








Fotografias: Gabriel Pondé

Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Bye, bye, Brazil!

Saiu o visto (notícia que dou com um certo atraso)! Agora, é só arrumar as malas e conter a saudade e o medo. Medo de gostar demais!

Brisbane, capital do Estado de Queensland, é a 3ª maior cidade do país e meu futuro lar pelos próximos onze meses.

Domingo, Dezembro 14, 2008

Visto de estudante

Joguei o barro. Esperemos pra ver se cola.


Salvador, 02 de dezembro de 2008

Ao
Consulado Geral da Austrália
Att: Setor de vistos

Ref. Solicitação de visto de estudante


Prezado oficial,

Eu, Gabriel de Senna Pondé, bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), solicito encarecidamente o visto de estudante pelo período de 10 meses em Brisbane (Austrália), quando estudarei inglês na Global Village English Centres, acrescidos de dois meses para que eu possa conhecer outros destinos turísticos locais, a exemplo de Sidney, Perth e, especialmente, Melbourne (já que é considerada a capital cultural do País), bem como aprofundar minha fluência no idioma inglês e meus conhecimentos acerca da cultura australiana e da história da Oceania, de modo geral.

A vontade de estudar fora do País é antiga. Desde a adolescência, nutro uma predileção por assuntos que gravitam em torno de geopolítica, antropologia e história - por extensão, de povos e culturas longínquas, uma delas a australiana. Mas a decisão de colocar em prática esse sonho só se concretizou em meados de 2007, com a iminência de minha graduação superior.

Ademais, por conta de exigências de mercado de trabalho, tais como proficiência em duas ou mais línguas e cursos no exterior, percebi a necessidade de dar continuidade à minha formação acadêmica. Isso porque, no mundo globalizado, cada vez mais a visão humanística, acompanhada de uma formação multidisciplinar, vem sendo privilegiada, em substituição ao tecnicismo, ensejado em meados do século XVIII pela Revolução Industrial (processo histórico encabeçado pela burguesia inglesa).

Quanto à escolha da Austrália como destino educacional, devo ressaltar que foi pautada, preponderantemente, pela proximidade climática e, em certa medida, cultural com o Brasil, uma vez que estes fatores, em minha avaliação, facilitam a adaptação relativa ao período inicial de estadia, geralmente associado a dificuldades de comunicação e de procura por hospedagem.

Outras variáveis que também pesaram foram a condição político-econômica privilegiada por que desfruta um país desenvolvido e o fato de que a Austrália é conhecida, entre outros motivos, pela sua receptividade para com o estrangeiro e pelo fomento ao Esporte, paixão que alimento desde a tenra idade através de práticas desportivas, entre as quais o basquete, o futebol e a natação.

Em síntese: por tudo o que foi exposto, reitero o meu desejo de estudar inglês na Austrália e de passar por essa experiência única e tão disputada por aqueles que, como eu, entendem a relevância de tal expediente para o amadurecimento tanto profissional quanto pessoal. De antemão - e acreditando no apoio do Consulado -, agradeço pelo tempo dispensado.

Atenciosamente,

GABRIEL DE SENNA PONDÉ

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Relato

Aconteceu com um amigo meu...

Você sabe o que é presenciar sua amada passar de mãos dadas com outra pessoa? E se isso ocorrer em plena formatura dela, um momento que você gostaria de compartilhar, aplaudindo, parabenizando... segurando na mão? Tem idéia da sensação de desconforto, de impotência, enquanto a possibilidade de sumir dali (já!) vai se tornando a cada segundo mais improvável, mais difícil, mais distante?

Imagina a angústia de não conseguir chorar, apesar de querer? E todos os olhares, apreensivos, voltados para você e esperando o pior acontecer? Percebe a desilusão, a tristeza, a solidão, a confusão, o ódio, a saudade,...? E quanto ao que foi investido na relação (os carinhos, as juras, os projetos em comum...), compreende o desespero de constatar que foi tudo em vão?

Pois um amigo meu, sim. Aconteceu com ele há uns dois anos. “Na hora, acredite, não passa muita coisa pela cabeça”, relembra esse meu amigo, “só a determinação de enfrentar a situação da maneira mais nobre possível”. E ele conseguiu, graças ao autocontrole e a Deus, por ter inventado o autocontrole. Na custosa despedida, cumprimentou a todos, dos pais aos amigos, passando, inclusive, pelo então suposto atual namorado da ex e pela própria ex, de quem ouviu um aparentemente civilizado... “obrigado por ter vindo”.

Parece coisa de novela, você deve estar tentando se convencer após suar frio. Mas não é, conforme o relato. A cena, no entanto, é recorrente: persegue esse meu amigo até hoje em forma de pesadelo. Inclusive foi o que o acordou hoje, às 8:30, e o compeliu a me ligar. Abafado, um tanto melancólico, desabafou: “Quando é que essa porra vai passar?”

Nunca, respondi. Mas o raciocínio está correto: quando a gente se prepara para o pior, fica mais fácil superar qualquer parada. Meu amigo, por sua vez, esperto que só - do contrário não seria meu amigo -, captou a mensagem. “Então, como eu faço para, pelo menos, aplacar meu sofrimento?”, sondou, do outro lado da linha.

Retribua com amor, sempre, respondi. Porém agora sem brincar com a troca de sinais, com o jogo de palavras. E receitei, como se médico o fosse: se não der certo, escreva sobre. Vá por mim.

Sexta-feira, Setembro 19, 2008

26ª Edição da Pondé's Party

Hoje vai ter uma festa. Pouco bolo, guaraná e doces pra vocês. Caruru, cerveja e Whisky, por sua vez, têm de sobra! Ah, e o descarado aí do lado sou eu, aos 3 anos.

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Crítica

Cegueira em dose dupla

No "Correio" de ontem, matéria completa sobre a morte de dois adolescentes que foram tragados pela força do mar na praia da Boca do Rio, em Salvador.

Não li a matéria. Parei no título. Não só por diariamente preferir acompanhar as versões online da Folha e do Estadão mas também por ter achado “Tragédia em dose dupla” de um deboche tamanho, de uma falta de sensibilidade, de um mau gosto...

Calma! Calma. Vamos manter a razão pelo menos aqui, neste inocente blog. O título infeliz do periódico, que recentemente passou por uma maquiagem gráfica, substituindo o formato standard pelo berliner, prova que a forma vem sendo privilegiada, em detrimento do conteúdo (tema já tratado aqui). Neste sentido, o Correio, material de divulgação do Carlismo pontuado por algumas matérias, cumpre sua missão: é bem diagramadinho.

Tudo isso me fez lembrar de “Casos e Coisas”, livro do baiano Duda Mendonça. Dentre as diversas passagens lúdicas, destaco a que o publicitário tenta ilustrar exatamente essa... digamos... oposição entre forma e conteúdo. A historinha é mais ou menos assim: um bom samaritano, aflito ante a ausência de uma diretriz propagandística para a campanha de um amigo prefeiturável, resolve ajudá-lo às vésperas da eleição. Para tanto, preenche as ruas da cidade com outdoors similares aos de um ex-candidato, que já havia sido alcaide. Neles, a inscrição de algo como “João fez, João vai fazer”. O problema é que o nome do amigo é Nem. E aí... bom, não preciso nem relatar o resto.

Fecha parêntesis.

Só que o deslize do jornal é mais grave e comprometedor do que parece. Afinal, trata de vidas perdidas, sonhos desfeitos e sofrimento alheio. A equipe de reportagem - e aí incluo o editor - não poderia, jamais, tocar num assunto tão delicado de forma tão indelicada. Neste sentido, sim, o "Correio" segue a esteira do embotamento em que está mergulhada a sociedade. E logo o jornal, que deveria fazer as vezes de um formador de opinião. Em lugar disso, dá uma de cego. Isso mesmo. Tal qual as personagens anônimas de Saramago em “Ensaio sobre a cegueira” - mal comparando.

Agora, um adendo: passei, sim, do título. Fui até o apoio, que diz o seguinte: “Dois adolescentes morrerem depois de entrar no mar na Boca do Rio”. Morrerem? Talvez o editor não tenha lido a matéria. Desse modo, ele está, em parte, isento da culpa. Se não foi bem assim, ele é comprovadamente cego. Cego em dose dupla.

Gabriel Pondé é jornalista e vai bem das vistas, obrigado

Segunda-feira, Setembro 08, 2008

Aniversário


Coisa de princesa

Há exatos 90 anos, Nazaré das Farinhas, terra dos caxixis, presenteava o mundo com uma princesa. O principado, porém, estabeleceu-se logo em seguida em Salvador, onde a soberana conheceu e se casou com o seu grande e único amor, Nivaldo Borba Senna, que foi tão bom marido, pai e avô quanto ginecologista e obstetra. Da união, interrompida ironicamente e de modo prematuro pelo coração (Nivaldo faleceu aos 59 anos por complicações cardíacas), originaram-se cinco filhos, dezesseis netos e quatro bisnetos.

Inteligente, Maria Ivany Gonçalves de Braga Senna, princesa e ao mesmo tempo minha avó materna, soube criar e educar a todos com distinto pulso firme. Vaidosa, mesmo do alto de suas nove décadas de existência, soube também manter-se diariamente impecável. Acuro rivalizado somente pelo sestro de limpeza. “Descalço, Gabriel?”, inquire religiosamente a matriarca. Mulher de médico, diriam alguns. Fato. Mas talvez seja justamente por essa característica que ela faça do perfeccionismo uma rotina.

Com minha avó, por exemplo, aprendi que nem sempre o correto é o corrente.

- Não é “nunca quis”. Tá errado, minha filha – corrige até hoje as atrizes e atores de telenovelas, como se estivesse a dialogar.

O curioso é que ela, que só completou o ensino fundamental, é mais inteligente do que muitos diplomados, para não citar alguns colegas de profissão. Explico: por cansaço, já cedi à burritzia de usar o verbo “acontecer” em lugar de “ocorrer” ou “ser realizado”. Mas acontece – olha aí o mau uso do cachimbo – que “acontece” só deve ser empregado nos casos em que se queira transmitir a idéia de circunstancialidade. Portanto, uma reunião ou uma palestra, por exemplo, não “acontece”, já que agendada, marcada, deliberada, e sim “ocorre”, “é realizada”.

Outro exemplo, entre tantos: estão abertas até o dia 19 de setembro as incrições para o seminário de Direito Constitucional. Qual é o deslize? Fácil, muito fácil, irritantemente fácil. “19 de setembro” não pode ser outra coisa senão um dia. Logo, a palavra “dia” deve ser suprimida da frase, já que redundante.

A propósito. Hoje, no trabalho, fui interpelado sobre adjetivos pátrios. A dúvida era se quem nasce nos EUA é estadunidense ou norte-americano. Respondi que o correto é estadunidense, embora o usual seja norte-americano. Uma colega minha - inteligente, até – discordou, com uma certa empáfia, até. Ela tem direito. E não sou eu que vou dizer o contrário – muito menos minha avó, sempre educada e cordata.

Minha querida vovó, por sinal, já esteve nos EUA, mais precisamente no Havaí, Nova Iorque e Washington D.C., entre outras localidades. Garanto que, ao lado de meu avô - entre uma pausa e outra para servir de modelo ao médico bem-sucedido e fotógrafo frustrado -, ela percorreu as ruas estadunidenses sobre um belo par de salto alto. Mas a elegância, apesar de ser umas de suas maiores qualidades, nunca esteve acima de sua inteligência. Coisa de princesa.

Gabriel Pondé é jornalista e neto coruja

Domingo, Agosto 10, 2008

Periguetagem

Salvador é a capital com mais solteiros no País

O advogado Leonardo dos Santos Marquesine, de 33 anos, nunca saiu da casa dos pais. Nem pretende. "Não tenho vergonha de morar com os pais e depender deles. Tenho muita coisa pra conquistar e resolver antes de casar, morar sozinho, namorar firme." Se no passado Marquesine teria de rebolar para explicar aos parentes por que vivia só, hoje sua história parece corriqueira. Solteirões convictos como ele, que comemoram o Dia do Solteiro no próximo dia 15, formam uma das parcelas da população que mais inflam no País.

É um universo sem padrões, que vai desde profissionais no começo de carreira que querem fazer uma poupança antes de sair debaixo da asa dos pais até o recém-divorciado em busca do tempo perdido. De acordo com o censo 2000 do IBGE, há quase 53 milhões de pessoas com mais de 18 anos solteiras, ou 30% da população, um número 70% maior do que na década de 90. Em algumas cidades, esse índice é ainda maior. Segundo pesquisa inédita do Instituto Ipsos/Marplan/EGM, realizada em nove cidades de abril de 2007 a junho deste ano, Salvador é a capital brasileira dos solteiros - 45% da população acima dos 18 anos está sozinha. No segundo está Brasília, com 41% de solteiros (51% homens e 49% mulheres), seguida por Belo Horizonte, com 40% (52% homens e 48% mulheres), e Fortaleza, com 38% (49% homens e 51% mulheres).

A pesquisa da Ipsos, que também mapeou as tendências de comportamento dos solteiros, mostra que é mais fácil conhecer alguém interessante nos corredores de um Shopping Center (54% dos solteiros freqüentam esses locais) do que na pista de dança de uma balada (apenas 31% vão para danceterias). Assistir a jogos de futebol no estádio, cozinhar nos fins de semana para os amigos e ficar simplesmente em casa assistindo DVD também são atividades mais populares do que ir a concertos e mesmo malhar na academia.

Essas informações fazem brilhar os olhos do mercado. "Hoje em dia, quem dita boa parte das tendências do mercado de consumo são os solteiros, justamente porque eles podem gastar mais com suas próprias vontades", diz o professor de Economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), José Eduardo Amato Balian. "Animais de estimação, prédios para pessoas sozinhas, alimentos pré-prontos, empresas de turismo especializadas, restaurantes, cinemas, bares, teatros, shows.... Todos esses mercados e setores crescem por causa dos solteiros. Quanto mais solteiros, melhor."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Agenda agosto


Mano Brother na Boomerangue



A banda de pop-reggae Mano Brother se apresenta no próximo domingo (10/08), às 19 horas, na Boomerangue, com um som descolado, que mistura canções próprias com hits do reggae, rock e surf music nacionais e internacionais. O evento conta ainda com o pop-rock de Marfisa e o bate-estaca do DJ Bandido. A Boomerangue fica na Rua da Paciência, 307 (Rio Vermelho), e a entrada custa R$ 10,00.

Agenda – Desde fevereiro deste ano, a “Mano Brother” agita as noites de sábado no Bahia Café Aflitos (Centro), a partir das 22 horas, dividindo o palco com a cantora Thaty. Mas no dia 16 a vibe positiva começa mais cedo.

É que nossos brothers vão abrir, às 17 horas em ponto, o projeto Dia de Encontro, que vai reunir as bandas Diamba e Ponto de Equilíbrio na Concha Acústica do TCA. Os ingressos custam R$ 15,00 e estão à venda no SAC, TCA e nos balcões PIDA.

Já no dia 21, a vez é da Calourada da Ucsal. A partir das 14 horas, a “Mano Brother”, juntamente com o grupo Samba Eu, Você e sua Mãe, recebe os calouros como manda o figurino: com muita música, energia e boas vibrações. Não perca!

Assessor de imprensa: Gabriel Pondé
Produtor: Eduardo Sanches

Site oficial


Aumenta o som que isso é "Mano Brother"!!

Vertigem. A mais completa tradução do estado coletivo de irreflexão, desvario até, em que os fãs se comportam diante do show pra lá de animado da “Mano Brother”, banda de pop-reggae que há dois anos vem confirmando talento de sobra em meio ao cenário musical soteropolitano.

Com um som misturado, de pegada pop, o grupo bebe em diversas fontes, do regionalismo de Alceu Valença ao cosmopolitismo de Davi Moraes, passando pela cadência “reggaeada” de bandas como Cidade Negra, Planta e Raiz e Maskavo.

No repertório, hits do reggae, rock e surf music nacionais mesclam-se ao toque personalístico de canções próprias, a exemplo de “Ninguém é de ninguém”, espécie de ska cuja letra reflete a ausência de compromisso nos relacionamentos amorosos da juventude atual.

Perdeu o fôlego? Ficou zonzo? Que nada. Entregue-se agora mesmo a essa vertigem virtual chamada website (www.manobrother.com) e se jogue com vontade no universo “Mano Brother”, conferindo fotos dos shows, clipes da banda e uma série de novidades. Caia na vibe, brother!

Assessor de imprensa: Gabriel Pondé
Produtor: Eduardo Sanches

Release


Músicos recobram as energias após maratona de shows

A “Mano Brother” cansou. Linoy, vocalista tarimbado, anda afônico. Gralha, guitarrista dos bons, apresenta calos nos dedos das mãos, enquanto Zorega, baixista da banda, está com torcicolo. Já os demais integrantes dormem ininterruptamente há exatos dois dias, informaram as más línguas. Esses sintomas são resultado da maratona MB.

Tudo começou na sexta-feira, a partir das 22 horas, no pub What´s Up, quando o grupo abriu os trabalhos com a canção “Homem Natureza”, levantando a galera. No dia seguinte, na casa noturna mais badalada do momento, Bahia Café Aflitos, os brothers, após show intimista de Marcelo Timbó, incendiaram o ambiente com um repertório vibrante, que teve como ponto alto a interpretação de “Eu ainda quero mais”. Correspondendo às expectativas dos fãs, o conjunto peregrinou até o Bohemia Music Bar, onde, no domingo, às 20 horas, fechou o fim de semana com um show irretocável, entremeando canções próprias com hits do rock, reggae e surf music nacionais e internacionais.

Hoje, a “Mano Brother”, por meio de sua assessoria de imprensa, anunciou que o quadro de saúde dos músicos é animador, apresentando melhoras a cada segundo, e que, por isso, os fãs não devem se preocupar. Afinal, apesar de cansados, nossos brothers têm ainda energia de sobra!! E garantem: a vibe positiva já consolidou endereço. É no Bahia Café Aflitos, todos os sábados, a partir das 22 horas, contando ainda com o som de Thaty e do dj ADT.

Agende-se! Não canse sua paciência procurando “reggaes” melhores. O bacana agora é ser “Mano Brother”!

Assessor de imprensa: Gabriel Pondé
Produtor: Eduardo Sanches

Sábado, Maio 31, 2008

Memória

- Quando é que eu vou pra Bahia?
- Pra Bahia?
- É.
- E a senhora está no Rio?
- Não. Pro interior da Bahia.
- Qual interior?
- Nazaré.
- Das Farinhas?
- Isso.
- E pra quê?
- Pra ver todo mundo.
- A senhora vai. Mas não tenha pressa.
- Tá.
- Vai encontrar ainda todo mundo um dia. Mas fique um pouquinho aqui comigo.
- Tá.
E dei um beijo de neto.

(Minha avó materna, de 89 anos, alterna momentos de lucidez com os de senilidade. Mais destes do que daqueles. Ela é linda!)

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Vagas de estágio

Para você que está desempregada

Estão abertas as inscrições para estágio no D&N. Os currículos devem ser entregues, de preferência, em mãos... do editor-chefe a fim de que a seleção seja tendenciosa. Também serão bem-vindas candidatas do curso de enfermagem. Lia, manifeste-se.


Partida

Bafejado pelas brisas quentes do futuro, parto do Tejo em direção ao desconhecido, ao meu “Atlântico” pessoal - apreensivo quanto ao rumo para o qual as correntes vão me guiar.

A minha mãe, que, dentro em breve, será uma Lisboeta, e a meu pai, que sempre me estimulou a apurar as vistas.

Quinta-feira, Março 06, 2008

Agende-se




Banda de pop-reggae agita o Bahia Café Aflitos

Os embalos de sábado à noite aposentaram de vez as bocas-de-sino. Agora a moda é a “Mano Brother”, que se apresenta todos os sábados, a partir das 22 horas, no Bahia Café Aflitos (Centro), agitando a galera ao som de pegada pop, que combina hits do rock, reggae e surf music nacionais com o toque personalístico de canções próprias, a exemplo do sucesso “Ninguém é de Ninguém”. O agito também conta com a participação do cantor Marcelo Timbó e do Dj ADT.

Formado por Linoy (voz e violão), Adriano “Gralha” (guitarra base), Marinho (guitarra solo), Fabrício “Zorega” (baixo), Lucas (percussão), Mathias “Alemão” (bateria) e Oldin (teclado), o grupo promoveu recentemente temporadas em diversas casas noturnas da capital, entre elas, os bares What’s Up, Rock It e Bohemia. Também já dividiu o palco com bandas locais de renome - uma delas O Círculo - em eventos importantes como a Festa Havaiana, Sedução Fest e Projeto Petrobrás.

Para o bandleader Linoy, os shows traduzem o espírito de amizade e harmonia estabelecido entre os integrantes, já que a maioria convive desde a infância e, inclusive, já tocou junto em outras formações. “Nossa intenção é transformar o ambiente o mais informal possível, presenteando o público não só com uma música de qualidade mas também com uma vibe bacana, uma energia positiva”, explicou, lembrando que em breve o clipe da música “Eu ainda quero mais” estará disponível para os fãs e a imprensa local.

Quarta-feira, Março 05, 2008

Quociente de ociosidade

Free IQ Test Score
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O que dá sofrer de insônia. Se estiver na mesma que eu, faça o que digo, mas não faça o teste que eu fiz: vá dormir. Não perca o seu tempo.

Segunda-feira, Março 03, 2008

História

Pondé: ascendência francesa?
No Brasil, os Pondé estão espalhados por diversos Estados, entre eles, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Mas é na Bahia onde se concentra o maior número de familiares

Desde pequeno ouço histórias sobre minha família paterna, os Pondé, geralmente em torno do currículo dos ícones da linhagem, um deles meu bisavô, Pedro Faustino de Souza Pondé, o “bom juiz”. Mas o que me moveu a escrever este post não foi a tradição, muitíssimo bem representada na Bahia por inúmeros emblemas da proficiência da família, a exemplo de Francisco de Souza Pondé Sobrinho (ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia), Ezequiel Pondé (fundador e ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral, além de vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça), e dos médicos Edístio Pondé, João Pondé e Adriano Pondé. Em verdade, foi a etimologia.

O que se diz é que a família teria surgido na França, a partir de um grupo de camponeses da região da Gasconha. Segundo relatos extraídos da comunidade do Orkut “Eu sou um Pondé”, existe inclusive na cidade de Miffagè, situada ao sul do País e próxima a Lourdes, uma masion com o nome dos ancestrais da linhagem: Chez Pondé. Ainda de acordo com a comunidade virtual, outra explicação (parece-me que defendida também por Consuelo Pondé de Sena, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia e membro da Academia Baiana de Letras, ocupando a 28ª cadeira) é a de que o sobrenome teria sido inventado por um antepassado, que resolveu registrá-lo.

Segundo meu pai, José Augusto Carvalho Pondé, que trocou algumas cartas com os Pondé franceses, outro ponto interessante acerca da árvore genealógica refere-se a um segundo tronco familiar, sem consanguinidade com o original, surgido a partir da apropriação espontânea do sobrenome - na opinião de alguns, em razão do status social, haja vista a influência da família em diversos segmentos da sociedade, especialmente no jurídico. Mas, para outros, esta ramificação teria sido criada por um senhor que retribuiu aos serviços prestados por um médico Pondé, homenageando-o com a adoção do sobrenome. Versões à parte, o fato é que a ascendência nebulosa dispensará ainda muito pano pra manga. Portanto, se você, sendo parente ou não, tem mais informações relativas ao tema, manifeste-se - deixe um comentário no blog.

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Economia


Também no NACOCÓ
A boazinha e a boazuda
Duelo entre divas baianas promete aquecer o mercado
das academias de ginástica


Inegavelmente, Ivete Sangalo é um tesão. As coxas, o sorriso, o bronzeado, a franjinha, as comissões dianteira e traseira, a rouquidão... Enfim, neste ponto eu comungo (lá ele!) com Márcio Vítor: ela é toda boa! A mesma deferência aplica-se à gracinha chamada Cláudia Leite, que não é tão, digamos, grande quanto a morenona, mas é outro tesão. Neste quesito, pelo visto, as duas são muito semelhantes. Parecem seguir a mesma cartilha de exercícios físicos.

Mas, pessoal, vamos combinar o seguinte: daí a afirmar que a loirinha imita a gostosona, é demais. Claudinha é suuuper autêntica. Tanto que passou a defender causas universais, a exemplo do aquecimento global, bandeira, inclusive, hasteada no último carnaval. Na oportunidade, também chorou em cima do trio (assim, suuuper inédito!), em razão do caminho no qual todo artista que já recebeu proposta para posar nu acaba desembocando: carreira solo.

“Taquepariu”, como diria o ex-editor-chefe da Penthouse nacional, que eu conheço. Não bastasse os clichês mais do que batidos do tipo “sai do chão”, “bota a mãozinha pra cima” e “quem tá solteiro aê?”, acompanhados do comprometimento com a alegria (alguém já viu triste alguma estrela do Axé que se preze?), Cláudia Leite resolveu aspirar a uma ponta na ONU, tal qual o fez a versão brasílica do Pé Grande, criatura que pode ser encontrada eventualmente no programa da Hebe e na micareta de Barcelona, dizem os especialistas.

Particularmente, já não tenho mais saco pra essa menina – a Leite, refiro-me. Ela é boazinha demais. E os jornais, revistas e programas televisivos ainda teimam em chamá-la de furacão baiano. É B-r-i-n-c-a-d-e-i-r-a! Não vai pegar. Pelo menos por mim não pega. Um tornado... vá lá. Mas um furacão?! Furacão é Ivete, pô: boa, sabe que é boa e não tá nem aí para a Camada de Ozônio, velho.

O negócio dela é quanto mais quente melhor. É levantar a poeira. E mais: ela não namora a pé, não, viu? Só pega barãozinho. E outra: “tem que ser mais novo, condição sine qua non”, avisou, avisou, avisou, que vai rolar a festa! Eu, do alto dos meus 25 anos, tô colado. Não sei você.

Gabriel Pondé é jornalista e Filho de Gandhy de carteirinha

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Os brutos também amam

Para minha querida tia Lúcia

Em 20 de setembro de 2003, iniciei uma das viagens mais fantásticas de minha vida. O ponto de partida foi no Colégio Oficina, durante o encontro de ex-alunos Retrato de Família. Naquele dia, eu sabia que seria tudo ou nada. Isto é, externar de vez os meus sentimentos ou guardá-los para sempre. Optei por comprar passagem só de ida. (Bom garoto!) Resultado: carimbei meu passaporte com o primeiro beijo. Quase que roubado. Partilhado em plena rua, em frente ao Peugeot vermelinho.

É bem verdade que não foi lá um beijo de cinema. Confesso. Mas foi mágico. Breve, porém eterno. Os instantes seguintes são fáceis de descrever: não cabia em mim de tanta alegria. Já o primeiro passeio ocorreu no condomínio Veredas do Sol, em Piatã, na casa do fim da primeira rua à direita. Lá, ganhei amigos. Bons amigos.

Também aprendi a limpar piscina, lavar carro e deixar sempre minhas roupas arrumadas na famosa sacola preta que carregava comigo nos fins de semana. Adquiri, inclusive, com uma senhora que gosto muito, o hábito e o prazer de comer camarão. Da moqueca à frigideira, o marisco era habitué.

A parada seguinte – e a mais longa - foi no Fernando Barroca. Nela houve de tudo: aniversários, natais, jogos da Copa do Mundo, churrascos, bate-papos na varanda, filmes no gabinete, kibes do Habib´s, promoções da Piano Pizza... Em resumo, houve felicidade, afeto e carinho. E teve amor também (ah, como eu amo todas as pessoas que compartilharam esses momentos comigo!).

No entanto, como toda viagem tem um fim, regressar... seria preciso. Logo, prossigo de modo firme, atento, curioso. E com a certeza de que não há pontos de chegada, e sim de partida.

Hoje, 20 de fevereiro de 2008, trago na bagagem muita saudade de vocês, meus amigos, mas também uma vontade imensa de seguir viagem. Quem sabe nossos roteiros não se cruzam novamente? Tudo é possível. Por isso, em lugar de adeus, prefiro um... “até a próxima”!


(Escrito há 5 dias num momento de reflexão, em reconhecimento às lembranças que jamais vou esquecer)

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

Haicai

O carnaval passou
a fila andou
e só eu continuo tomando a cerveja quente do posto da Bonocô

Sábado, Novembro 17, 2007

Decano

Firme no batente

Salvador, 5 de novembro de 1907. Cira Lina de Carvalho, esposa de Estêvão Francisco de Carvalho, dava à luz o primogênito do casal, que ainda teria mais cinco filhos. Hoje, Epaminondas Francisco de Carvalho, filho mais velho da dona-de-casa e do industriário, é também o advogado mais idoso na ativa, de acordo com registros oficiais da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA). O centenário foi comemorado na segunda-feira (5), em missa celebrada na Igreja da Penha, em Itapagipe, que reuniu cerca de 500 pessoas, entre amigos e familiares.

“Não me intimidei: cumprimentei um por um”, orgulha-se o decano, garantindo que o vigor físico é uma marca que sempre o acompanhou. A rotina comprova: apesar da idade avançada, diariamente participa de sessões fisioterápicas e visita, duas vezes por semana, o próprio escritório, na Rua Chile, onde trabalha com questões contra órgãos do governo e empresas estatais, a exemplo da Petrobrás.

Segundo ele, a fórmula para tanta disposição vem da mistura entre atividades desportivas, como os anos dedicados ao remo, e o amor à profissão, abraçada ao se graduar em 6 de março de 1932 pela Faculdade Federal de Direito, na Piedade, onde hoje funciona a OAB. “Você pode até se tornar presidente da República”, relembra, saudoso, trecho de uma das conversas entabuladas com o pai, incentivador de seu ingresso na advocacia.

Carreira – A experiência adquirida durante o período acadêmico, quando estagiou na área criminal, preparou-o para um dos cargos ocupados ao longo da carreira e dos quais mais se envaidece: o de diretor da Penitenciária Lemos Brito, no quadriênio 1952/56. Antes disso, em 1937, o então governador Juraci Magalhães nomeou-o juiz preparador de Bom Jesus dos Meiras (atual Brumado).

Após passar por diversas comarcas, como a de Entre Rios, requereu a exoneração, aos 38 anos de idade. “Naquela época, juiz ganhava muito pouco. Ainda assim, pagava o aluguel da casa e sustentava a própria família”, recorda Epaminondas, casado com Helnice Moreira de Carvalho, 65 anos, e pai de 10 filhos.

A partir daí, paralelamente à função de advogado, exerceu inúmeras outras atividades, entre elas, a de assessor jurídico da Associação Comercial de Feira de Santana e de consultor-chefe do Departamento Jurídico da Secretaria de Urbanismo e Obras Públicas da Prefeitura de Salvador. Também é membro de honra do Instituto Penal e de Criminologia da Argentina, do Instituto Brasileiro de Direito Penal e da OAB, além de ser um dos fundadores da Associação Brasileira das Prisões, com sede no Rio de Janeiro, e do Instituto Brasileiro de Direito Penitenciário.

Exemplo – Epaminondas mora com a esposa numa casa de cinco cômodos, na Boca do Rio, onde recebe a visita dos netos e bisnetos. Para ele, além de competente, o advogado deve ser, sobretudo, idôneo. “Como já dizia Ruy Barbosa: não tenho vergonha de ser honesto.”

Lúcido, ainda lembra com detalhes o primeiro caso profissional, na área Penal, envolvendo um engenheiro do Departamento de Rios e Canais. Saudável, revela que só precisou se submeter a duas cirurgias, uma de próstata e outra de catarata. “Enquanto estiver enxergando e respirando, pretendo continuar trabalhando”, prometeu, folheando um álbum de fotografias, uma delas a dos pais, Dona Cira e Seu Estêvão.

FONTE: TJ-BA Notícias REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Podcast

Um tostão de minha voz
Gravei uma nota para a Rádio Justiça faz pouco mais de uma semana. Mas dêem um desconto porque estava nervosão: há muito que não gravava um off (e pra rádio, então, foi a primeira vez). É muito mais difícil do que o de TV, já que não tem as pausas das sonoras e da passagem. Ou seja, tudo é dito de uma vez só - e sem direito a errar. Pra piorar, o cara, do outro lado da linha, lá em Brasília, disse "vai". E fui... Só relaxei quando terminei. Sensação de missão cumprida - mêabomba, mas, em todo caso, cumprida.

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Só tem maluco


Jornalismo é o curso mais concorrido da Fuvest 2008

A Fuvest divulgou nesta segunda-feira a lista com a relação de candidato por vaga que farão vestibular para os cursos da Universidade de São Paulo. O curso de Jornalismo é o mais concorrido, com 41,63 pessoas para cada vaga, ou seja, são 2.538 estudantes disputando apenas 60 vagas.

O segundo curso mais disputado é o de Publicidade e Propaganda, com 41,02 por vaga. O curso de Medicina vem em 5º lugar na relação de candidatos por vaga, porém, teve o maior número de inscrições neste ano, com 12.973 estudantes.

O vestibular da Fuvest vai selecionar, para 2008, 10.302 alunos para a USP, além de 100 para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e 150 para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco.


Veja abaixo a lista dos cursos mais concorridos:

Carreira Relação C/V
Jornalismo 41.63
Publicidade e Propaganda 41.02
Relações Internacionais 36.88
Curso Superior do Audio Visual 36.40
Medicina e Ciências Médicas 33.99
Artes Cênicas – Bacharelado 32.27
Fisioterapia 30.12
Oficial da Polícia Militar (masculino) 26.93
Design 26.08
Psicologia 25.74
Psicologia – Ribeirão Preto 25.50
FONTE: Yahoo

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Tapa-buraco

Vasculhando meus arquivos no computador, topei com o texto abaixo. Mesmo inconcluso, decidi postá-lo, já que o blog anda meio abandonado. Segue, então, o tapa-buraco.


Houve um tempo em que jornalismo era tido como coisa séria. A sentença partiu de uma recordação de infância, a qual me remete às reuniões de familiares na sala de TV, quando eu era obrigado a fechar a matraca. Apesar de ávido por brincar com os bonecos "Comandos em Ação", fechava, sim, senhor. Afinal, acompanhar o silêncio incomum, artifical, que se instalava a partir do momento em que a vinheta do "Jornal Nacional" despontava, era puro mistério. Diversão, mesmo. Não desconfiava, pois, em tão tenra idade, que àquilo se chamava respeito ao Jornal. Reverência, até.

Os jornais impressos também eram objeto de tratamento similar. Lembro-me de meu avô paterno, assíduo leitor, passear os olhos pelo periódico, desfrutando não só do prazer de ler, mas do amor táctil dispensado à prática de manusear as folhas do jornal, que borrava-lhe os dedos. De fato, o jornalismo era coisa séria. Era, é bom que se frise.

Hoje, é diferente. Não pelo seu fim, nobre, que é noticiar o cotidiano e monitorar o poder, mas pelo seu “meio”, isto é, por alguns jornalistas. Qual ouvinte, leitor ou espectador já não se deparou com, digamos, maus-tratos à língua portuguesa? Outro dia, por exemplo, testemunhei a grafia “célebro”, estampada com letras garrafais em manchete de um jornal local de grande circulação. Conjecturei a respeito de qual cérebro poderia ter saido tamanho desrespeito ao leitor e a “Seu” Aurélio. De algum jornalista, óbvio. Mas não é só um “l” em lugar de um “r” que preocupa.

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Justiça a facão

SENTENÇA JUDICIAL DATADA DE 1833 - PROVÍNCIA DE SERGIPE

Sergipe, 15 de Outubro de 1833.

O adjunto de promotor público, representa contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.


CONSIDERO:


QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quis também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujetio perigoso e que se não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.


CONDENO:


O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.

Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apreguem-se editais nos lugares públicos.
Manoel Fernandes dos Santos.
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe,15 de Outubro de 1833.
Fonte: Instituto Histórico de Alagoas

Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Registro

O dia em que vi Tralli passar

Hoje, o jornalista da Globo, César Tralli, deu o ar da graça lá no trampo, a Ascom do Tribunal de Justiça.

Coincidentemente, o dia foi duplamente histórico. É que meu chefe, outro jornalista por quem tenho profundo respeito e admiração, reuniu toda a equipe da assessoria para comunicar que o Notícias do Judiciário (ex-Diário do Poder Judiciário), por determinação do Conselho Nacional de Justiça, está com os dias contados – mais precisamente até 15 deste mês.

A medida, em compensação, enseja outras mudanças, que, em minha avaliação, são bem vindas. Com a extinção da publicação diária, passaremos a produzir, a partir da data supramencionada, um semanário (mas com um número maior de matérias), além de dar mais ênfase à Rádio e à veiculação on-line de notícias, por meio de nosso site, que também passará por uma reforma.

O rearranjo também interferirá na distribuição de tarefas e na definição de expedientes. Eu, por exemplo, provavelmente trocarei a tarde pela manhã e relatarei os fatos não só através da duplinha inseparável (a saber: caneta e bloco de notas) mas também da máquina fotográfica. De agora em diante, portanto, sou fotojornalista.

Mas voltemos ao fio da meada. Horas depois do anúncio, eis que surge o correspondente internacional mais novo da história televisiva brasileira, cruzando a humilde redação, rumo à sala de Navarro, meu chefe. Após a porta fechar atrás de si, Tralli não deu apenas continuidade a mais um dia de trabalho. Mal sabe ele, despertou em um jovem jornalista a vontade de chegar lá. De ser bom no que faz. De servir de modelo para os que querem também. E eu quero. Tralli, como já disse, não sabe, mas ele passou por um futuro colega. Cheio de vontade de acertar e de um dia poder cruzar a mesma redação, despertando igual sensação em algum jovem jornalista.

Salve Tralli! Salve o jornalismo! Salve a vida!

Quinta-feira, Agosto 30, 2007

Moda


Roots
É o Luciano, da Mosiah? Said, de Lost? Keanu Reeves? Rodrigo Santoro? Não. É o nosso super editor-chefe em aparição yuppie! Quem gostou, gostou. Quem não aprovou, que compre uma Gilette Sensor, de três lâminas, com um barbear mais macio, e presentei-o em 19 de setembro, data em que comemora 25 anos de Café Cancun!! Ele agradece.

Domingo, Agosto 19, 2007

Diário de bordo

Pé na estrada

Passei a última quarta e quinta-feira no município de Ilhéus, mais conhecido como a “Princesinha do Sul”. Logo de cara, percebi uma atmosfera acolhedora - mesmo tendo chegado à noite, por volta das 19 horas. Percorrendo sua orla marítima, pontuada por inúmeros prédios (com 12 andares em média), também tive a impressão de que a cidade, cujo desenvolvimento foi interrompido pela crise da vassoura-de-bruxa, já viveu dias melhores. Mas a capital do cacau, outrora pujante, ainda pode ser considerada como um atrativo destino turístico - o que, inclusive, parece ser o principal sustento econômico da cidade.
O Vesúvio, com seu famoso quibe, a orla do Pontal e as praias de Olivença são os principais passeios. Destes, o único que não tive tempo para conhecer foi o restaurante e seu propalado quitute. Já nos outros, apesar da viagem apertada, bati perna de cabo a rabo. Em Pontal, região em que se tem acesso pela ponte Lomanto Júnior (que liga a parte sul ao centro urbano), fiquei hospedado na Rio Mar, uma de suas diversas pousadas, e jantei na Pizzaria Pinóquio, que oferece rodízio às terças e quartas-feiras por módicos R$ 9,90. Já Olivença é o endereço do Ecoresort Tororomba, onde ocorreu o evento para o qual fui designado cobrir como repórter.
No regresso a Salvador, já a uns 140 km de Ilhéus, almocei num restaurante de beira de estrada, o Natureza Viva. Muito bom! À mesa, moqueca de Tilápia (mesclada a batatas, pedaços de palmito e camarões), acompanhada por pirão, arroz e farofa de banana e alho. Após o que considero minha experiência mais próxima do paraíso, segui viagem, juntamente com Nei, o fotógrafo, e Alessandro, o motorista. Todos com o bucho cheio. O único ponto negativo é a BR-101, que, à medida em que nos aproximamos de Ilhéus, fica cada vez mais sinuosa. A qualidade do asfalto, porém, é boa. É preciso, apenas, ser cordato na direção.

A seguir, a reportagem e sua suíte sobre o evento.


CONSTRUINDO CAMINHOS

O presidente do TJ, desembargador Benito Figueiredo, fez nesta quinta (16), no Ecoresort Tororomba, em Ilhéus, o pronunciamento de abertura do 3º Fórum Construindo Caminhos: Municipalização, Regionalização e Execução das Medidas Socioeducativas, que tem por objetivo discutir questões importantes relativas a adolescentes em conflito com a lei.

“O problema do menor é o ‘maior’, que, por vezes, não se interessa pelas dificuldades por que passam crianças e adolescentes carentes”, declarou o presidente, apontando ainda a desigualdade social como um dos principais fatores da marginalização de menores.

Ele também destacou a atuação humanista dos magistrados da Infância e da Juventude do sul e extremo-sul da Bahia, bem como os trabalhos de reinserção social de adolescentes infratores promovidos pela Fundação Reconto, que criou o fórum, em parceria com a Fundac, Ampeb, Amab, Procuradoria da Justiça do Estado e o TJ.

O chefe do MP, Lidivaldo Britto, por sua vez, lembrou que o momento é de ação e que um dos desafios é colocar em prática o ECA, criado em 1990. Para tanto, de acordo com ele, uma das medidas é instalar mais 40 conselhos tutelares até o fim do ano, ampliando o montante de unidades, que hoje estão em 318 municípios baianos.

O evento, que lançou o Prêmio Amigo Legal do Adolescente e vai até hoje com uma série de palestras e ação de grupos de trabalho, contou com a presença do Padre José Carlos, dos juízes Marcos Bandeira e Sandra Magali, da promotora Norma Angélica e do coordenador-geral da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Manoel Carlos Formigli Souza, além de outras autoridades.

ILHÉUS: MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

O III Fórum Construindo Caminhos foi encerrado nesta sexta-feira (17) com a formação de grupos de debate sobre a municipalização, regionalização e execução de medidas socioeducativas, temas do encontro, aberto pelo presidente Benito Figueiredo. As discussões em torno da questão dos adolescentes em conflito com a lei, a exemplo de Unidade de Semi-Liberdade, Internação e Ressocialização, foram reunidas em um documento, que norteará as necessidades na área.

O último dia do fórum também contou com uma série de palestras, a exemplo das exposições “O Estado e a Regionalização das Medidas Socioeducativa” e “A municipalização do atendimento socioeducativo”, proferidas, respectivamente, pelo diretor-geral da Fundac, Walmir Mota, e pelo juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, Guaraci de Campos Vianna.

REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Segunda-feira, Julho 30, 2007

Wagner, meu ídolo

O bloguista no Faustão

Nunca pensei que fosse aparecer no programa do Faustão, o famoso Domingão do Faustão, mas as coisas acontecem. Wagner Moura, ator que está na crista da onda por sua excelente performance na novela Paraíso Tropical, é baiano, de Rodelas, cidade interiorana que foi inundada pela barragem de Sobradinho, e começou aqui, nesta soterópolis, sua carreira. Estudou na Faculdade de Comunicação, Facom, da Universidade Federal da Bahia, na segunda metade da década de 90, e foi meu aluno numa disciplina relacionada ao audiovisual. Orientei-o em seu trabalho de conclusão de curso, o famigerado TCC, que naquela época se chamava Projeto Experimental. Wagner realizou um vídeo - não havia ainda disponível o DVD - de curta duração chamado Placebo, baseado num conto de Rubem Fonseca. Não sei como a equipe da Globo me descobriu. O fato é que fui entrevistado e apareci hoje no quadro Arquivo Confidencial a falar algumas palavras sobre o vitorioso intérprete de Paraíso Tropical.

Texto extraído do Setaro’s Blog.

Veja aqui o arquivo confidencial.

Sábado, Julho 28, 2007

O show foi sucesso!!


Quarta-feira, Julho 25, 2007

Agende-se


Blau já era brother. Agora é mano também!


É hoje!!! Pelo projeto Quarta do Blau, a Banda Mano Brother retorna aos palcos nesta quarta-feira (25/07), às 20 horas, no bar What's Up (Pituba). Vai bombar!!

Confira aqui, no D&N, reportagem especial sobre o grupo.

Quinta-feira, Julho 19, 2007

Crônica

Também no NACOCÓ

Antes só do que chupar bagaço

Os solteiros que pretendem aderir ao estado civil a dois que se cuidem: arrumar namorada está difícil. Extremamente difícil. Ultimamente, em minhas andanças, só me deparo com laranja madura em beira de estrada. Por fora, todas são boazudas. As que podem, inclusive, ostentam bolsas da Puma, calças da Carmim e tops da Ópera Rock. Já por dentro, todas podres e bichadas.

Exalam individualidade, futilidade e todos os “ades” tanto possíveis quanto imagináveis, menos originalidade. É que a maioria se diz insatisfeita com o curso que escolheu. Preferiam ter optado por Teatro, Dança, Moda, Gastronomia, etc. e tal. Mas decidiram fazer Direito (nem tanto!). E deduz por quê? Visando aos concursos públicos. Afh!!

Mas minha queixa maior não é nem essa. Aliás, quanto a isso, beleza. Sei que dá pra levar uns dois, talvez até três anos com uma gostosinha representante da caretice pequeno-burguesa. O problema é que está cada vez mais complicado manter um relacionamento sério. E até mesmo iniciá-lo. O motivo? Bem, o motivo é que quase todas as mulheres com menos de trinta anos estão menos exigentes. Sim, MENOS. À primeira buzinada de outro homem, segue-se o zignow. No caso das solteiras, estão perdidas diante de tanta oferta... barata.

Posto isso, acredito na seguinte teoria: hoje em dia, a mulher, de modo geral – e principalmente as mais novas – não vai quetá-o-faxo enquanto não provar, digamos assim, de uma quantidade razoável do sexo oposto – e do mesmo sexo também, em alguns casos.

Mas não acho errado. Certas estavam as índias tupinambás solteiras, que, segundo Antonio Risério, em Uma História da Cidade da Bahia, conheciam uma enorme liberdade sexual. “Possuíam chocinhas ou cabanas nos matos, onde entretinham os seus casos amorosos. Eram construções singelas, situadas fora do círculo de visão da aldeia. Quanto aos parceiros, a moça se achava relativamente livre para realizar e aceitar investidas. Poderiam ser eles cartas marcadas, companhias fugazes, achados circunstanciais, cativos destinados ao caldeirão antropofágico ou, até mesmo, o futuro marido. Mas sem excluir a possibilidade de que o encontro, na minicabana silvestre, se desse entre cunhã e cunhã.”
Contudo, “à liberdade sexual das solteiras, seguia-se a monogamia rigorosa da casada”. Sábias tupinambás! Entregavam-se ao maior número possível de homens, mas quando encontravam o da vida delas se doavam por inteiro. De coração. Pra "sempre".

Portanto, cara pálida, você tem que aposentar essa história de que mulher direita é mulher virgem – ou pelo menos pouco rodada. Até porque, virgindade é coisa do passado. Isto é, nem do passado, em verdade, haja vista o "fogo" das tupinambás. E outra coisa: o mundo mudou. Ninguém mais precisa nem deve casar com o primeiro “amor”. Tem mais é que experimentar. Deixar a fila andar. Transar sem remorso. Ficar, sem ligar no dia seguinte. Eu, por exemplo, quando tiver minha filha, vou dizer: dê. Dê muito, mas se case com um homem que te faça realmente feliz e que você também o faça. E ao meu filho direi: corra das mais novinhas. Elas não vão parar em você.

Pois bem. Tudo muito bonito. Ponto. Retomando o raciocínio... O fato é que, apesar de certas, elas não querem nada com a hora do Brasil – em matéria de relacionamento, é bom que se diga. Minto. Até querem, sim, mas daquele jeito: o namoro deu uma desgastada? Rua! As solteiras, então... O beijo não tá bom? Pista!

É por isso que eu vou seguindo aquela outra teoria que preconiza cuidar do próprio jardim e deixar que as borboletas venham até ele. Pórem, enquanto elas não batem as asinhas em minha direção – as que valem a pena, digo – sigo o conselho da Barbie da terceira idade: relaxo e gozo. Ou gozo e relaxo. A ordem dos fatores não altera a solidão.

Gabriel Pondé é jornalista e playboy esclarecido

Terça-feira, Julho 17, 2007

Fotografia

Assinadas pelo fotógrafo do DPJ, Nei Pinto, as fotos abaixo retratam a Avenida Tancredo Neves do ponto de vista de um dos estacionamentos do Shopping Salvador. O cara é fera! Por isso, fica registrada a promessa de um perfil sobre ele.

Segunda-feira, Julho 02, 2007

Reportagem


SHOW DE PESO, BROTHER
Aposta em hits nacionais e ‘pegada’ mais pop marcam a volta da “Mano Brother” aos palcos


Por motivo de segurança, após o uso das anilhas e dos halteres é obrigatório colocá-los de volta ao nível do chão. O aviso denuncia que se trata de uma academia de ginástica. Mas a banda Mano Brother desrespeita o comando, transformando-a em QG dos ensaios para o show de reestréia no What´s Up, próxima quarta-feira (25/07), às 21 horas, ao som de sucessos do pop-rock e do reggae nacionais, mesclados a elementos regionais, como o ijexá.

A apresentação sela o retorno da banda, cujo último show foi realizado oito meses atrás. Com outra formação, a “Mano Brother”, hoje composta por Marcelino (vocal), 28 anos, Adriano “Gralha” (guitarra base), 29, Juarez “Jabá” (guitarra solo), 29, Lildo (baixo), 31, e Lucas (Cajón), 24, já havia tocado, ano passado, no Carangueijo do Sergipe, Café Teatro Porcão e Festa Havaiana, além de outros eventos e casas noturnas.

Segundo Adriano, a banda foi “muito bem” recebida pelo público. “No entanto, tivemos que suspender temporariamente o projeto, devido ao choque entre a agenda de shows e a vida pessoal de cada um dos músicos”, justifica. Para ele, gerente de banco, este é um dos empecilhos que muitas bandas em início de carreira, como a “Mano Brother”, enfrentam para conquistar uma fatia do mercado. “Alguns ensaios são adiados por isso.”

TREINO - Ao nível do chão, só mesmo as anilhas e halteres, que funcionam como suporte para guardar o material da banda, a exemplo de celulares, partituras e capas dos instrumentos. No entanto, a qualidade do som e o compromisso com os ensaios são sempre nivelados por cima.

“Não brincamos em serviço, apesar de nossos encontros serem motivo de festa para a gente”, afirmou Marcelino (ou Linoy da Bahia, como prefere ser chamado), explicando que os ensaios, além de harmonizarem a banda, são importantes para definir a identidade do grupo, já que é nesse momento que o repertório e a roupagem das canções são escolhidos. De acordo com ele, cada música é passada com bastante atenção, observando os detalhes e discutindo qual a melhor maneira de tocá-la. Afirma ainda que, nessa hora, todos os integrantes têm liberdade para mudar alguma coisa. “O importante é acrescentar”, pondera.

Promovidos desde maio na academia abandonada do condomínio Caravelle, na Graça, esses encontros servem também para que os integrantes fujam do repertório oficial e relembrem o passado, quando pertenciam a outros grupos. Linoy, por exemplo, foi vocalista da banda de pagode Os Sungas (que percorreu o país com o hit “Domingo de Manhã”) e do grupo de rock Fahrenheit, do qual também participaram Gralha, Lildo e Jabá. Este, aliás, atuou em outras bandas e, hoje, integra a Mohana, de reggae raiz.

Já o percussionista Lucas, há mais de um ano não sobe aos palcos, apesar de ter tocado durante sete em uma banda de pop-rock mineira pelo circuito universitário do interior paulista e do sul de Minas. “Estou ansioso por voltar a me apresentar, ainda mais por ser na Bahia”, desabafou o percussionista, que aprendeu Cajón há apenas três meses, embora toque bateria há mais de oito anos. “Não foi uma troca. Somente ampliei minha aptidão musical”, disse.

REPERTÓRIO - Em meio a supinos, bicicletas e esteiras ergométricas, o grupo preparou um repertório “pra cima” e mais personalístico para a próxima aparição, dedicando um tratamento especial a cada uma das 25 canções selecionadas, garante o vocalista.

Segundo ele, o show, que faz parte do projeto Quarta do Blau, estará repleto de hits nacionais, como, por exemplo, “Tô no barato” (Planta e Raiz), “Minha irmã” (Cidade Negra) e “Rodo Cotidiano” (O Rappa), além de músicas mais antigas, como “Morena Tropicana” (Alceu Valença), e de quatro composições próprias. Destaque para “Ninguém é de ninguém” - espécie de Ska cuja letra traduz a ausência de compromisso nos relacionamentos amorosos da juventude atual.

Até lá, a banda promete que continuará com os ensaios no mesmo lugar, bem como com a transgressão aos avisos espalhados pela academia, excetuando um, que diz: “Após a utilização deste recinto, favor apagar a luz.” Afinal de contas, manda quem é síndico e obedece quem tem juízo. Bons meninos. Todos manos brothers!

REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Sábado, Junho 30, 2007

O Ser e o Blog
Sartre foi o último dos grandes filósofos


Um dos pontos mais curiosos da filosofia existencialista, defendida por Sartre, é de que as pessoas poderiam exercer seu livre arbítrio até nas doenças. Estando em um barco, por exemplo, enquanto havia pessoas que passavam mal, enjoavam, Sartre dizia que isso não acontecia com ele, simplesmente porque "ele" havia decidido não adoecer.

A verdade é que os existencialistas provocaram um terremoto nas idéias do século 20. Havia boas condições para que isso acontecesse: o mundo tentava entender a Segunda Guerra e seus desdobramentos; a ocupação francesa, a resistência - da qual Sartre fez parte - e ainda incrédulo tomava cada vez mais conhecimento das atrocidades nazistas. Diante disso, uma teoria que desconsiderava Deus - onde Ele havia andado durante o genocídio? - e atribuía a cada ser humano a responsabilidade sobre as coisas era notável.

Sartre produziu uma ficção que tomava suas próprias experiências como argumento. Ao mesmo tempo levava a vida como se fosse ele próprio um personagem de um livro que haveria de escrever diariamente até a morte. Um idealista, mas um prático. Uma das máximas de Sartre diz que "o homem está condenado à liberdade", ou seja, não há uma ordem comum a qual podemos seguir e nos confortar. Cada qual está condenado a ter que optar e decidir por si. E isso vale para o conjunto, é claro, a humanidade. Por mais que as religiões insistam em parâmetros, as razões e conseqüências da nossa existência terão que ser decididas por nós. Sem profetas ou profecias.

Jean-Paul Sartre foi o último dos grandes filósofos. Depois que ele morreu, em 1980, o cargo ficou vago. Talvez essa seja uma das conseqüências da atualidade: muitos nadadores, mas só de superfície. As infinitas criações de formas e possibilidades de expressão atuais não são afeitas a mergulhadores de águas profundas. Os blogs que se proliferam feito baratas no lixo, por exemplo, ainda que anunciem uma possibilidade democrática maior, têm o poder de pulverizar, além de envelhecer, qualquer idéia em poucas horas.

Por outro lado, nunca ficou tão próximo de cada um a possibilidade de existir no sentido filosófico, se levarmos em conta que existir é se exprimir. Só que desse jeito as coisas ficarão inexoravelmente mais descartáveis. Os Sartres, os Nietzsches, os Shakespeares, assim como os Beatles, os Bob Dylans, ou os Fellinis, talvez fiquem inviáveis, uma vez que eles precisarão de tempo para serem compreendidos. E tempo é algo que o mundo da instantaneidade não dispõe.

Sem os grandes artistas, os grandes pensadores, sem uma mídia unificada a ditar as regras de aproximação e conduta, o que sobra é o homem comum, sozinho diante da tela do computador, interligado a outros semelhantes num infinito espaço virtual. Ou seja, condenado como nunca à liberdade.

Este texto faz parte do livro Minhas Certezas Erradas, de
José Pedro Goulart editado pela L&PM.

Aniversário

O blog completa 10 anos

Este mês, o blog, espécie de diário e uma ferramenta muito popular na internet, completa 10 anos, recebendo aplausos, sendo alvo de críticas, causando polêmica.

Pode-se dizer que este pré-adolescente do mundo virtual foi uma criança precoce. Quando a internet começava a se consolidar nos lares de todo o mundo, ele nascia. No começo, sua presença quase não era notada, talvez por isso ninguém saiba ao certo quem o deu à luz.

Cem milhões. Este é o número estimado de blogs existentes atualmente. E a cada dia surgem mais, já que ele virou moda na comunidade política, sobretudo em tempos de eleição.

FONTE: Yahoo

Sexta-feira, Junho 29, 2007

Aonde!
Lugares e coisas que você deve ir e fazer com parcimônia em Salvador

A semântica da gravata

Ouro dia, após o expediente, fui à casa de Marquinhos, meu colega de labuta (somos repórteres do DPJ). Sua mãe, muito gentil e acolhedora, nos recebeu com os olhos fitos em minha gravata. Marquinhos estava com a camisa por fora da calça e desabotoada nos dois primeiros botões de cima para baixo. Desprovido de gravata, portanto.

Dias mais tarde...

- Depois que você saiu, minha mãe perguntou se você ocupa um posto acima do meu.

- Sério?! - perguntei, deixando escapar uma gargalhada.

- Sério. - disse Marquinhos, compactuando com a risada.

- E você disse o quê?

- "Ah, minha mãe, o cara curti."

- "O cara curti?" - continuei a rir, mas contive em seguida para evitar qualquer mal entendido.

- Interessante. Tá vendo como a roupa informa? - filosofei, na tentativa de imprimir um tom sério ao papo.

(Pausa para reflexão.) E completei:

- Mas neste caso desinformou!

- É verdade! - disse Marquinhos, rindo.

Sexta-feira, Junho 08, 2007

Fórum

Jaíres, a ascensorista

“Jai”, “menina” e “boneca” são alguns dos apelidos que Jaíres Silva Reis, de 54 anos de idade, colecionou ao longo dos 26 anos de trabalho no Fórum Ruy Barbosa, 15 deles dedicados à atividade como ascensorista. Das 13 às 19 horas, seu “escritório” é um dos dois elevadores frontais do prédio.

Apesar do sobe e desce contínuo, Jaíres diz estar satisfeita com a profissão, revelando que, entre um andar e outro, há tempo suficiente para iniciar uma conversa. “Muitos de meus amigos eu conheci assim, batendo papo”, explicou ela, informando que suas inúmeras amizades vão desde serventuários até desembargadores.

Casada há 27 anos e mãe de três filhos, a ascensorista, que começou a trabalhar no fórum como servente, confessa que sua rotina está longe de ser entediante. Afinal, alguns homens, além de contarem piadas, aproveitam para cortejá-la. “Já recebi cantada de todo o tipo, até de mulher”, revela, esclarecendo que é fiel e sempre contorna a situação invocando o nome do marido. “O homem é ‘cana’. Policial civil”, diverte-se.

Outro motivo de alegria é o reconhecimento do seu trabalho por parte das pessoas que, desconhecendo a localização de determinadas salas, sempre requisitam informações. Segundo ela, um senhor de origem humilde, em retribuição a um desses favores, presenteou-a com cinco cachos de banana-maçã e prata. “Embora grata, distribui entre minhas colegas aqui do fórum. Foi o jeito”, recorda.

Para Jaíres, o único lado negativo do ofício é não poder ler nem comer enquanto trabalha, já que poderia desviar sua atenção. Mas diz que, apesar disso, existe uma recompensa: o carinho dos amigos, a exemplo de uma comunidade do Orkut intitulada “Eu conheço Neca ou Boneca”, criada em sua homenagem. “A não ser uma dor de cabeça forte, nada é capaz de estragar o meu bom-humor”, afirmou ela, sorrindo - é claro.

REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Crônica

Tô à toa, se ligue

Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado. A frase é de Zeca, o baleiro, mas bem que poderia ser minha. Afinal, a cada dia que passa uma alegria inexplicável impregna meu espírito. Talvez seja a fila que avoa e o Asa arrêa. Ou será esse clima Bahia/verão/cerveja que se aproxima?

Sei, não.

O estranho é que uma ponta de indignação teima em puxar meu pé, retardando meu vôo. Sabe o que é? Não consigo entender como algumas mulheres dispensam determinados homens. Leia bem, DETERMINADOS, ou seja, homens que manifestam publicamente seu amor por sua amada e que, ainda por cima, são o que se pode chamar de “bom partido”. Não é isso que vocês procuram, meninas??

E minha indignação se torna maior porque sou um deles.

Porém, antes que os garotos de All Star me atirem dúzias de pedras por me associar ao CBP - Clube dos Bons Partidos, explicarei o porquê de minha aderência. Coloque na balança: não levo desaforo pra casa nem separo sujeito de predicado; leio Machado; choro sempre que vejo E.T. e, de quebra, corro, malho, tenho 1,92 de altura e imito super bem o Serginho do BBB1. Querem mais o quê? Discutir a relação? Claro, adoro conversar. Ou já esqueceram que eu estudo Jornalismo, um dos cursos mais concorridos da Ufba, que, por sua vez, é uma das universidades mais concorridas do país?

É complicado.

Ou melhor, vocês são bastante complicadas. Quando estão solteiras, reclamam dos anencéfalos de regata que insistem em chegar junto mediante a função fática: “E aí gata, blz?” Quando encontram o príncipe encantado, reclamam que o namoro esfriou: “Ai, a gente tava muito grudadinho! Achei melhor dar um tempo.” Pô, faça-me uma garapa! Quer dizer, passa pra cá essa tulipa de chopp que eu vou curtir com os brothers – os únicos que me entendem. Mas primeiro vou passar na porta da vizinha e desejar bom dia. Fui...

Gabriel Pondé é jornalista e levou um pé na bunda

Quinta-feira, Maio 24, 2007

Entrevista

Também no Blog do Latinha
O SERTÃO QUE VIROU MAR
Ari Donato migrou de Guanambi para Salvador em busca do sonho de ser jornalista


Calça jeans, camisa de botão e tênis brancos. É desse jeito que de segunda à sexta-feira, do alto de seus 54 anos de idade, Ari Donato jovialmente se apresenta à redação do Jornal A TARDE e da Ascom do Tribunal de Justiça da Bahia. Jornalista há 31 anos, “Arizinho”, como costuma ser carinhosamente chamado pelos colegas, não se arrepende de ter trocado, em 1972, a vida pacata de Guanambi, onde nasceu e se criou, pela correria da cidade grande.

“No início foi difícil, mas acabei me adaptando ao ritmo frenético daqui”, recorda. Dois anos após sua chegada a Salvador, período em que foi funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, na Rua Chile, mudou-se para a Residência Estudantil de Guanambi - que havia fundado junto com alguns conterrâneos -, onde viveu até 1978, data em que se tornou bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia.

Àquela época, Donato nem imaginava o efeito que a combinação entre metrópole, universidade e conjuntura política do país poderia lhe causar. E causou. Como que embebido pelos ideais contagiantes da contracultura, ele enveredou pela trilha dos movimentos estudantis, integrando a Comissão de Imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) - que criou e editou o jornal Viração - e atuando no movimento cultural de Guanambi, dirigido de Salvador, na fundação do Centro Estudantil de Guanambi.

O ingresso no universo jornalístico? Foi só uma questão de tempo. Começou como estagiário na Editoria de Esportes do A TARDE, sob o comando do jornalista Genésio Ramos. Daí em diante - e já como contratado do jornal -, Donato passou por inúmeras editorias, atuando como repórter, até assumir a chefia do Caderno Rural, a partir de 2003. Em paralelo, também construiu sua carreira como servidor do Tribunal de Justiça do Estado, tendo sido assessor de imprensa do Judiciário baiano na administração dos desembargadores Gérson Pereira dos Santos, Mário Albiani, Paulo Furtado e Ruy Trindade.

Em seu currículo, Ari só coleciona sucessos. Já entrevistou “reis”, a exemplo de Pelé, Roberto Carlos e Dominguinhos, e ganhou prêmios, como o recebido pelo conto vencedor de um concurso realizado pelas Óticas Ernesto, entre jornalistas, no Dia dos Pais, em 2001, e publicado em A TARDE, em forma de publicidade da ótica, para marcar a data. Mas, para ele, seus maiores troféus são sua mulher e dois filhos, frutos da relação que já dura mais de 28 anos.

Em entrevista comemorativa dos 20 anos da Facom, Ari Donato discute o futuro do jornalismo baiano, compara a Facom de “ontem” à de “hoje” e revela que, apesar dos hábitos adquiridos com a vida em uma metrópole, não abandonou a paixão pelas modas de viola nem por sua cidade natal. “É palavra, cabra”, jurou ele, com o sotaque carregado de quem não desgruda das raízes sertanejas.


>>> Qual o papel da Facom em sua formação como profissional?
Estudei de 1974 a 1978, quando a unidade tinha a denominação de Escola de Biblioteconomia e Comunicação (EBC). Veja que Biblioteconomia estava na frente. Do ponto de vista didático, para formação profissional, o ganho foi muito pouco. A escola pouco oferecia, tanto em termos de currículo quanto com professores. Eram poucos os que conseguiam juntar prática de redação, que era o que a maioria deles tinha, com didática.

>>> E como cidadão?
Posso dizer que ganhei mais no campo da ética. Fiz o curso em um período em que o Movimento Estudantil (ME) retomava suas atividades e, aí, as discussões no campo da ética e política foram muito importantes. Essas discussões, saindo para a prática que, acredito, eu exerça, sedimentaram meu comportamento como cidadão.

>>> Em sua opinião, o que mudou na formação dos graduados em jornalismo pela Facom de "ontem" em relação aos de "hoje"?
Creio que os novos professores e um currículo mais amplo, mas contemporâneo, puxaram a discussão sobre a comunicação como instrumento social e deram embasamento à sua prática, o que considero importante, pois um profissional deve saber o que está praticando. Sair da prática e ter noção teórica e discursiva do que seja a sua profissão, para se libertar de certas fórmulas que às vezes querem impor aos que estão começando na profissão. Para mim, jornalismo tem princípios, não fórmulas.

>>> O diploma da Facom ainda pesa na hora de conquistar um espaço no mercado de trabalho? Por quê?
Minha resposta é pessoal, não havendo nada de científico ou comprovado pelo mercado. Eu apenas confio na Facom, pelos professores que ensinam lá. Ainda faltam, para mim, às demais faculdades de jornalismo, professores à altura dos que há na Facom. Sei bem o que representa uma escola carente de bons professores, em razão de ter estudado na EBC quando a escola não tinha professores do nível de especialização que há, agora, na Federal. Por mais que se esforce, o aluno fica perdido. Falta corda, quando ele puxa...

>>> Qual sua impressão em relação aos cursos particulares de jornalismo?
Conheço bons jornalistas que saíram das outras escolas, alguns até trabalharam comigo, quando estagiários e depois, já com o curso concluído. A maioria deles, no entanto, com potencial graças mais aos seus próprios esforços do que ao avançado material didático e humano das escolas particulares.

>>> Qual a sua visão de mercado de trabalho na área jornalística nos dia de hoje?
Trabalho em um jornal há mais de 30 anos e não tenho, por isso, uma visão experimentada de como está lá fora. Mas, pelo volume de profissionais que sai das escolas e olhando para o espaço a ser ocupado, as perspectivas não são boas, em termos de vagas, além de os salários serem baixos. No geral, a situação é negativa, mas, particularizando, sempre alguém encontra boa colocação, boa vaga e segue em frente.

>>> Que tipo de predição você faria a respeito do cenário jornalístico baiano para os próximos anos?
Nós temos bons profissionais, em quantidade suficiente e boa parte sem trabalho, mas a quantidade de veículos de comunicação, em todas as esferas, impresso, rádio, televisão e outros, são em número reduzidíssimo. A Bahia tem 417 municípios, alguns com forte comércio regional, como Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus, Barreiras, Porto Seguro, Juazeiro, mas em nenhum deles, embora alguns tenham escola de jornalismo, há uma imprensa forte do ponto de vista empregatício. É também amadora, atrasada e vive pendurada nos releases e notas oficiais e, agora, nas cópias de material da Internet. É uma lástima. Um ou outro jornal tem produção própria de matéria, mas sem uma relação empregatícia confiável, que assegure um mínimo de mercado para os profissionais.

>>> O jornalismo mudou muito durante seus 31 anos atuando na área?
Jornalismo como jornalismo, para mim, não mudou e não vejo em que mudar. Os meios, as formas, sim. Saíram das atas romanas e já estão na digitalização, devendo avançar mais com os tempos. Mas o jornalismo será o mesmo, sempre de forma a mostrar ao cidadão o que ele quer saber, da maneira mais isenta possível. Opinião em jornalismo é outra coisa.

>>> O que você ainda mantém de sua "história" e personalidade formada em Guanambi? O quanto do "interiorano" (despojado de qualquer sentido pejorativo) ainda existe após todos estes anos morando na metrópole?
Sou um sertanejo e muito me orgulho disso. Salvador me deu muita coisa, me ensinou muita coisa, mas não retirou de mim a alma sertaneja, mesmo porque Salvador é uma cidade-mãe, não impõe nada, mas assimila tudo que vem do interior do estado, pois foi assim desde os tempos da sua formação, quando para aqui vieram os africanos, por exemplo. É uma característica desta cidade, de absorver a cultura que vem ao encontro da sua, sem impor nada.

>>> Qual o seu maior orgulho como jornalista?
Vai ser uma resposta simples: meu maior orgulho é ouvir do meu pai e da minha mãe: “Meu filho é um jornalista”. Sei que esta conquista minha, saindo de uma cidade pequena, em 1972, representa muito para eles. E para culminar, minha filha, Mariana Donato, fez Jornalismo na Facom (2004) e meu filho, Rodrigo Donato, faz Comunicação, com Propaganda e Publicidade, na Jorge Amado. Minha profissão é um espelho para eles, dizem sempre.

REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Cabeleireiro


Amor à profissão

O cabeleireiro Josiel Reis Santos, de 34 anos, está sempre com a agenda cheia. De segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas, na sala 32, andar térreo do Fórum Ruy Barbosa, ele atende em média 18 clientes/dia, desde magistrados até serventuários da Justiça.

Sem se queixar da demanda, Josiel relembra o passado, quando já teve que vender pastel, pipoca e picolé nas ruas de Salvador para garantir sua sobrevivência. Hoje, orgulha-se de sustentar sua mulher e dois filhos através dos rendimentos proporcionados pela profissão.

“Foram tempos difíceis”, recorda. Para contornar as dificuldades financeiras, em 1987 Josiel passou a trabalhar como auxiliar num salão de beleza, prestando serviços gerais. Autodidata, aos 14 anos ele descobriu a aptidão como cabeleireiro, após ter sido influenciado por um pedreiro que trabalhava numa obra ao lado do salão. “A princípio eu resisti à idéia, mas depois, com o surgimento de novos clientes, não parei mais. Tomei gosto pela coisa”, comentou.

Desde então, já passou por quatro salões de beleza até assumir as atribuições na barbearia do Fórum, que, segundo ele, é também freqüentada por mulheres. “Muitas chegam aqui exigindo lavatório e secador, por exemplo, mas eu explico que se trata de uma barbearia”, disse, informando que, ainda assim, as atende com bom humor.

Há 20 anos cuidando do cabelo e da barba de seus clientes, Josiel conta que já foi vítima de preconceito por conta da profissão, mas que encarou com naturalidade. Para ele, os comentários são compreensíveis, afinal de contas, o trabalho que exerce cuida do visual de homens e mulheres. “Amo o que faço. Se algum dia ganhasse na loteria, não largaria minha profissão”, prometeu, enquanto checava a agenda de clientes do dia seguinte.

REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Escrivão


Dedicação ao Judiciário

Há 16 anos trabalhando na 6ª Vara Cível da Comarca de Salvador, o escrivão Antonio Jesus Santos, de 68 anos, considera-se um dos funcionários mais antigos do complexo do Fórum Ruy Barbosa, dentre os que estão na ativa. Ao todo, são mais de 54 anos dedicados ao Judiciário baiano.

Casado e pai de três filhos, o escrivão disse que, apesar dos adventos tecnológicos, prefere trabalhar com a máquina de escrever, em lugar do computador. Para ele, a prioridade é, além de checar todos os processos, cumprindo os despachos do juiz, manter a qualidade no atendimento aos advogados e às partes que visitam o cartório da 6 ª Vara, que funciona no 4º andar do anexo Prof. Orlando Gomes.

Sempre bem-humorado, Antonio Santos chega ao trabalho, pontualmente, às 8 horas. Ele se considera um profissional à moda antiga. "Independente do expediente que utilizo, o importante é cumprir com minhas obrigações”, explicou. O escrivão comentou também que é testemunha de diversas mudanças ocorridas no Judiciário baiano. Ele relembra que no início da carreira só existiam duas varas de família e duas cíveis, e que o cartório de casamento não realizava divórcios nem separações, e sim desquites.

Natural de Feira de Santana, Antonio Jesus ingressou no universo jurídico aos 15 anos, a convite do então escrivão da 1ª Vara de Família da capital, Mário Ribeiro dos Santos. Após 11 anos atuando como “rato de cartório”, espécie de ajudante de escritório, ele foi nomeado sub- escrivão da Vara, exercendo o cargo até 1983, quando foi promovido, por critério de merecimento, a escrivão da Vara Distrital de Lauro de Freitas. Sem resistir à distância, decidiu retornar a Salvador para ocupar o atual cargo, do qual se aposentará no próximo ano.

REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Perfilados

Com a habitual despreocupação em atualizar o blog, o D&N postará, entre outras coisas, matérias sobre perfilados do Fórum Ruy Barbosa - trabalho que nosso editor-chefe realizou para a Ascom do TJ como repórter. O primeiro post será sobre o mais antigo escrivão do FRB.

...

Em pleno trampo, me peguei outro dia cantarolando algo assim: "nem sei se gosto mais de mim ou de você..." Putz! Colé, mané autor, não sabe se gosta mais de você ou de outra pessoa??? Rapá, se assunte!
Sem mais delongas, o D&N está de volta!

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Vou chegar

A partir de agora, o D&N não mais existe. Se valeu a pena a brincadeira? Claro que valeu. Contudo, o editor-chefe deste periódico chinfrim precisa mudar os ares, partir para uma fase nova de sua vida. "Escrever, ou melhor, tentar a cada texto aprender a escrever, é sempre um exercício louvável, pois reunir palavras todos nós podemos, mas dar densidade à reunião só com o tempo e muito suor", falou e disse.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos
Pablo Neruda, poeta, diplomata chileno, 1904-1973

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

POLÍCIA : autor de "A Divina Comédia" não resistia a um fininho?

Após um "tapa", ele ficava Alighieri, Alighieri, dizem as más línguas

A inglesa Barbara Reynolds é uma das mais respeitadas estudiosas da vida e da obra de Dante Alighieri. Recentemente, ela publicou "Dante: the poet, the political thinker, the man". A senhora Reynolds, do alto dos seus mais de 70 anos, deu entrevista ao suplemento literário do Times e afirma não ter dúvida de que Dante consumiu cannabis.

Sobre a conclusão de Reynolds opinou Giulio Leoni, festejado professor de literatura italiana e que escreveu 3 livros sobre Dante Alighieri. Para ele, não existe nenhuma dúvida do autor de "A Divina Comédia" ter usado drogas.

Reynolds também frisou que esse era um tema discutido séculos atrás. Na Antiguidade eram bem conhecidas as propriedades ativas de algumas plantas, como o ópio e a cannabis. Ainda segundo Reynolds, Dante conhecia bem a farmacopéia e sabia que plantas e substâncias podia usar sem riscos. Ela ressalta, também, que na obra de Dante existe, muitas vezes, um componete imaginário como, por exemplo, no capítulo sobre o Inferno, na "Divina Comédia". Com isso quis dizer, ao que parece, que buscou recursos perturbadores, talvez canábicos.
FONTE: Terra

Domingo, Janeiro 21, 2007

Aonde!
Lugares e coisas que você deve ir e fazer com parcimônia em Salvador

Mati o quê??

O nepotismo não é um privilégio exclusivo do serviço público. Este ano, o Festival de Verão, na ânsia de preencher sua grade com atrações internacionais, recorreu à antiga arte de abusar do poder em favor dos bons amigos. Pelo menos é o que parece, diante do artista que fechará a primeira noite do evento. É fácil imaginar até como foi o diálogo para trazer Matisiahu.

- Mati? Hi, man!
- Hi! What´s up?
- Well, what do you think about Festival de Verão in Salvador?
- Nothing. I don't know.
- Woud you like make a show here?
- Yes.
- Ok!
- Ok.


Leite de pedra

Excetuando eventualidades, como deslizamentos de terra e acidentes aéreos, fazer jornalismo em pleno verão, não raro, é um exercício de imaginação.

Há quem diga que esta história é inverídica, mas que o quadro de pautas da Ascom do Tribunal de Justiça não mente... ah, isso não mente.

- Quem vai pegar essa matéria aqui, Balanço anual das Varas?
- Aonde!

Sábado, Janeiro 20, 2007

Ligações encerradas



Ajaiô


“Não tenho como assistir ao BBB7 e, ao mesmo tempo, dar as diretrizes deste periódico. Estou ficando velho.” Com estas palavras, nosso editor-chefe ratificou o que há muito todos aqui na redação já farejavam - tem nova estagiária no pedaço.

Em surdina, ele realizou dezenas de entrevistas, ao longo do verão, em busca de uma substituta para o cargo de relevo. Sim, de relevo, pois a aspirante irá acompanhá-lo para cima e para baixo, tendo que, ainda, nas horas vagas, exercitar seus dotes manuais através do método conhecido como cafuné. A investidura e conseqüente desvelo da identidade de nossa nova companheira, no entanto, será protelada para além dos festejos momescos, já que nosso querido chefezinho mandou avisar: “Por questões ideológicas, e nada mais, este ano eu saio no Gandhi.”

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Reveillon 2007

Good Vibrations

Morro de São Paulo, dez minutos para a meia noite. Senti as primeiras gotas de Cidra Cereser refrescarem meu couro cabeludo. Em vão, tentei avisar aos convivas sobre a precipitação nos abraços e votos de feliz ano novo. Sem receber ouvidos em troca, nem avistar meus dois amigos perdidos entre as gentes, associei-me a um efusivo grupo de argentinas. Soltei um buenas noches (só me veio isso na hora). A retribuição foi generosa... digo, generosíssima: recebi um beijo e abraço (ou será que foi um abraço seguido de beijo?) de uma das chicas do Prata. Pensei: Não pode ser verdade! Alguém me belisque, por favor!

E me beliscaram, mas em Aratuba, na Ilha de Itaparica. Na noite anterior, o trio ternura (eu, Gralha e Barata), havia passado o que consideramos O Pior Reggae do Milênio. Além de termos que agüentar os principais hits do pagode baiano, em disputa com uma insistente e inconveniente zoada de moto (Aratuba também entrou para o Guiness Book como A Maior Concentração de Hondas por Km Quadrado), fomos brindados com a insólita visão de nativos dançando em cima de pick-ups ao som de “sacode a laje”. Até que tentamos nos enganar com três rodadas de Nevada, mas era demais. Saí debaixo de um toró, carregando a lembrança de ter sido cantado três vezes e recebido um beliscão na região glútea. Daí tira-se o nível!

Retornei do meu solilóquio - e sem beliscão. Era Barata me desejando “tudo de bom, cara”. Em seguida, imbuído pela contagiante devoção à Iemanjá, que só se vê em dois dias do ano (a saber: 2 de fevereiro e reveillon), decidi ofertar alguma coisa ao orixá. Mas o quê? Relembrei a crítica que Barata havia tecido sobre minha démodé sandália Rider. E retornei de outro solilóquio. Era ele, educadamente, dizendo “joga essa porra fora, velho”! E joguei. No mar. Para Iemanjá, deusa da fecundidade, da fertilidade, do amor, ... “É bem capaz de eu encontrar essa merda nos pés de algum Rasta maconhado, qualquer dia desses”, pensei.

Já descalço, encontrei Gralha, ébrio, com a camisa desabotoada. Seguimos, os três, em direção à barraca de Capeta mais próxima. Afinal, a noite estava só começando e precisávamos esquentar os neurônios, isto é, embaralhá-los. Daí em diante, não me lembro de muita coisa. Normal.

Minto. Lembro, sim. Este reveillon foi só boas vibrações e energias. E que venha o Pré-Caju, pois o trio ternura estará lá! Tê, tê, tê... tê, tê, tê, tê, tê... tê, tê, tê, tê, tê... tê, tê, tê...

Este texto foi enviado por nosso editor-chefe, de algum lugar do litoral baiano.

Fotofolia (Morro de S. Paulo, 31/12/06)







Terça-feira, Novembro 07, 2006

Exposição


Livros Raros

Relatórios de sessões do Tribunal de Justiça, relatos históricos, compendios e teses são algumas das categorias que compõem a exposição de livros raros da Biblioteca Central do TJ, que funciona, das 8 às 18 horas, no quinto andar do Fórum Ruy Barbosa.

De acordo com a responsável pela pesquisa, a jornalista Ângela Peroba, além do critério de antigüidade, os 17 livros expostos foram selecionados por um “conceito elástico”, que abrange desde edições limitadas, até a presença de autógrafos e dedicatórias de autoridades de renome nacional, passando pelo uso de papel especial, como o pergaminho.

O título mais antigo da exposição, “Colecção de Leis do Brazil”, data de 1832 e a mais recente aquisição é o livro “Judex Perfectus”, coletânea de artigos referentes ao falecimento de Pedro Faustino de Souza Pondé (conhecido em vida como “o bom juiz”), publicado em 1945. Todos os itens expostos vêm acompanhados por uma breve resenha, cujo propósito é fornecer informações sobre cada obra.

Outro destaque, informou Ângela, é o livro “À Margem do Direito: ensaio de psicologia jurídica” (1912), primeiro a ser escrito pelo famoso jurista brasileiro Pontes de Miranda. “Muitos pesquisadores e professores universitários já vieram à exposição e ficaram impressionados com a riqueza histórica de nosso acervo bibliográfico”, comenta ela.

Sem data prevista para terminar, a exposição já é a terceira realizada pela biblioteca, que, recentemente, realizou uma em homenagem ao jurista Ruy Barbosa. Para a bilbiotecária-chefe, Valdinéia Barreto Ferreira, a importância destas exposições é divulgar o acervo da biblioteca para os usuários, já que alguns deles deixam de pesquisar por desconhecer a existência de determinado livro.

REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Homenagem



O post acima, além de ser uma pequena mostra do trabalho que realizo no Fórum Ruy Barbosa como correspondente da Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, é uma homenagem a meu avô paterno, Clóvis Pondé, fã incondicional de seu pai, o juiz Pedro Faustino de Souza Pondé, falecido em 25 de abril de 1925.

Segue trecho de resenha sobre Pedro Pondé, "o bom juiz", assinada pela jornalista Ângela Peroba com o fim de compor a exposição de livros raros da Biblioteca Central do Tribunal de Justiça do Estado. Além dela, mais duas resenhas foram escritas por Ângela: uma sobre o desembargador Francisco Pondé Sobrinho, presidente do TJ no biênio 1972/73, e outra sobre o desembargador Ezequiel de Souza Pondé, que, entre outros cargos de relevo, assumiu a vice-presidência do TJ, além de ter sido presidente-fundador do TRE. Este era tio de meu avô, já Francisco, irmão.

"Conhecido em vida como "o bom juiz", o magistrado Pedro Faustino de Souza Pondé, foi alvo de múltiplas homenagens da Justiça, autoridades dos vários poderes, familiares e inúmeros artigos publicados na imprensa da época. O jornal A Tarde chegou até mesmo a abraçar a causa da família do juiz, fazendo uma campanha sui-generis na trajetória dos meios de comunicação: arrecadar dos 'homens dignos da sociedade' um valor para a compra da 'casa do bom juiz'. E assim foi concretizado, com o exemplo inicial do próprio jornal, que concedeu um conto de réis."

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

Cinema

O rei das tardes

Assistir Sessão da Tarde, em lugar de esquentar os bancos colegiais, era o sonho de qualquer criança que viveu na década de 1980. O drible, não raro, caia no lugar comum: engendrar uma dor de cabeça daquelas e forjar uma cara de cachorro pidão. Apesar de nem sempre colar, a canastrice valeu a pena. Afinal, o programa exibia filmes que estimulam a imaginação fértil das mentes pueris. Os exemplos são muitos: vão desde o niilista Curtindo a Vida Adoidado, à sempre bem-vinda trilogia de Indiana Jones ou de seu congênere “paraguaio”, Alain Quaterman (co-estrelado pela então desconhecida Sharon Stone).

Mas se alguém merece – por antonomásia - o título de rei desta sessão, a coroa deve ir para o inigualável Jerry Lewis, mestre em caretas e trapalhadas inesquecíveis. Sua genialidade atraiu, até mesmo, a atenção do cineasta francês Jean-Luc Godard, que não se conteve e declarou o seguinte: “... ele é muito melhor do que Chaplin...”.

SENTA QUE LÁ VEM A HISTÓRIA – Lewis, que nasceu Joseph Levitch em 1926 no interior do estado de Nova Jersey, arrancou as primeiras gargalhadas do público internacional dividindo os louros com um aspirante a galã, o ator Dean Martin, no filme My Friend Irma (1949). Após dez anos de parceria – e desentendimentos – cada um tomou o seu rumo. Era o início do período mais fecundo na carreira de Lewis, no qual figuram obras primas, como O Professor Aloprado e Bancando a Ama-Seca.

Poucos, no entanto, conhecem ou sequer fazem idéia do lado renascentista do comediante. Além de atuar em mais de 60 filmes, ele dirigiu, produziu e escreveu um bom punhado destes. Não bastasse, foi professor de direção cinematográfica na Universidade da Califórnia (Spielberg e Lucas foram alguns de seus ilustres pupilos), compositor, pianista e, de quebra, indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Jerry Da Vinci!!

Em suas mais recentes incursões fílmicas, Lewis fez escolhas sisudas, como sua contida atuação em O Rei da Comédia, dirigido por Martin Scorcese, e uma ponta em Arizona Dream. Há quem diga, inclusive, que esta última fase da carreira, incerta e longe dos holofotes, seja reflexo de sua vida pessoal conturbada, regada a bebidas alcoólicas e, por conseqüência, graves problemas de saúde. Que seja. Porém, enquanto houver cinéfilos ávidos por uma boa risada, Jerry Lewis jamais será esquecido - bem como as tardes dos idos anos 80.

AUTOR: Gabriel Pondé

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

A culpa é do release


Rodrigo Amarante, da banda Los Hermanos, perde a paciência com pergunta insistentemente idiota. "O que me incomoda é o jornalismo preguiçoso." Sábio Amarante.

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Epístola ao leitor


Refém das circunstâncias

Esta é, doravante, a nova cara do blog. E a mudança é culpa de 2007, considerado o ano dos concursos públicos. Diante das dificuldades do mundo moderno (baixos salários e instabilidade financeira são apenas algumas), nosso ex-editor-chefe decidiu, em meio a prantos e inconformadas interrogações levantadas por toda a redação, abrir mão de suas atribuições para com o D&N.

Há três dias, ele se dedica aos estudos jurídicos, da mesma forma que se entregava aos braços de Morfeu - sempre deixando patente sua inabalável, indelével e insubstituível orientação heterosexual. O jornalismo, todavia, permanecerá, em sua agenda de atividades, sublinhado com o mesmo compromisso empregado até então. "Nada mudará", garante ele, "Afinal, amo o que faço e jamais largaria minha profissão por nada neste mundo."

CARA NOVA - Por isso, apresentamos nosso mais novo editor-chefe, Vítor da Silva Barros, cinco anos, conhecidíssimo, entre os frenéticos coleguinhas dos mais longínquos playgrounds, como Vitinho. Em seu currículo, apesar da imaturidade, Vitinho já prenuncia seu futuro repleto de conquistas: em recente edição do caderno A Tardinha (Jornal A Tarde), um de seus desenhos foi publicado, cuja técnica é a do hidrocor sobre A4, bastante difundida entre os jovens talentos. Além da aptidão para o desenho, Vitinho é um cinéfilo nato e adora ouvir histórias surreais, primeiro e importante passo para se tornar um grande escritor. Seja bem-vindo Vitinho!!

Pintando o 7

Arquivo cedido pela Basquiat School of New York, onde nosso novo editor realizou intercâmbio acadêmico, assimilando a famosa técnica do garrancho criativo.


Vernissage da Exposição "Meus Heróis"

Absorto, Vítor dá asas à imaginação

Homenagem ao paladino Batman

Arquivo cedido pela Revista CARAS


Cenho concentrado durante cobertura jornalística no
Centro de Lançamento de Alcântara (Maranhão)

Olhos fitos no discípulo de Capablanca, Vítor aguarda
desfecho favorável - e inevitável

Veneza, Carnaval 2006

Em sessão exclusiva para críticos de cinema

Momento jogging

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

DA REDAÇÃO

Estudante de jornalismo também é gente

Fruto de uma diligente investigação, o diálogo que você, amigo leitor, acompanhará a partir de agora faz parte do nosso audacioso e inédito projeto Profissão Repórter - conduzido, ao longo de árduos nove meses, pela competente equipe de estagiários do D&N.

"Comparo a um parto, o trabalho que tivemos para seguir esses garotos", revela uma de nossas jornalistas em formação. Após todo este tempo - e sem lograr êxito -, nossos estagiários perscrutaram a vida de dois estudantes de jornalismo. Tudo foi revirado: desde as cuecas no guarda-roupa até as playboys da década de 1990. Destaque para as páginas coladas da edição em que Galisteu foi capa.

Apenas no último instante, quando todos na redação já entregavam as "pontas", é que conseguimos flagrar, através do messenger, um esclarecedor bate-papo entabulado entre os dois pupilos sob nossa mira. Por previdência e conduta ética, resolvemos manter em sigilo suas reais identidades. Para tanto, deliberamos lançar mão de pseudônimos escolhidos à revelia.

Toda essa empreitada foi pensada e retirada do papel com o único e exclusivo escopo de confirmar o que há muito já se divulgava à boca miúda: estudante de jornalismo também assiste à Dança dos Famosos, vai ao Multiplex, come Big Mac, calça tênis Nike e já pensou - em algum momento - em se tornar um BBB.

Recomendo, portanto, que retirem as crianças do gabinete, pois o diálogo transcrito abaixo é a mais pura demonstração de idéias fúteis, lúbricas e ignóbeis.

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Me deu o "zig" no domingo, hein?!

Réu diz:
?

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Foi para as bandas de Stella sem me avisar!!

Réu diz:
Hehe. Me viu foi? C tava onde?

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Seu carro emparelhou com o meu na Paralela, mas quando percebi vc já estava longe. Porém, deu pra perceber que vc estava lindo de regata laranja!!

Réu diz:
Huahuahua... era vermelha. Mudando de assunto: vc cortou o cabelo de graça no Fórum, foi, sacana?

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Rapaz, tô até querendo, mas ainda não cortei, não! rs A propósito, viu a matéria sobre a barbearia, foi?

Réu diz:
Vi, mas não li direito. Acho que sai amanhã. Vai sair é a do cobrador. Pensei até q fosse sua.

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Né, não. Eu tô é me divertindo com o Tribunal do Júri. É um verdadeiro teatro!

Réu diz:
É mesmo! Mas como vc descobriu a matéria?

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
10 "real" pela informação!!! rs

Réu diz:
Oxe..

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Tô brincando! Fuçando mesmo. Todas foram assim.

Réu diz:
Masa

Réu diz:
Massa

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Rapaz, agora quem vai mudar de assunto sou eu. Tem cada avião naquele fórum!! Vc não faz idéia! A sala é toda envidraçada e sem cortinas. Por isso, todo mundo que passa me vê e vice-versa. Vejo tudo!

Réu diz:
Eh? Devem ser as estagiárias.

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Já apelidei a sala de "mirante de aeroporto"!! rs

Réu diz:
Hehehe! Pois lá no TJ não é assim.

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Ah, mas se fuçar encontra... uma desembargadora aqui, outra aculá!! kkk

Réu diz:
Huahuahua!!

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Qual é sua grade da Facom?

Réu diz:
Estética, Atualidade I e Oficina de Assessoria. E a sua?

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Carmem escaldou: vou ter que pegar Elaboração de Projeto novamente.

Réu diz:
Pq?

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Impediu que eu fizesse a prova final...

Réu diz:
Sim, mas pq?

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
...em lugar disso, sugeriu que eu fizesse um exame de consciência! É mole?

Réu diz:
É mole, mas sobe!! huahuahua

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Xô ir.

Réu diz:
Blz, abraço.

{{{Promotor de Injustiça}}} diz:
Abraço!

Sábado, Julho 15, 2006

Rumor desmentido


Fernando Vanucci justifica "apagão" e alega problema familiar

O apresentador da RedeTV! Fernando Vanucci, 55 anos, justificou o "apagão" que sofreu no último domingo enquanto apresentava ao vivo o programa Bola na Rede, afirmando que tomou dois comprimidos de Lorax (um calmante). Segundo o colunista Daniel Castro, da Folha de S.Paulo, Vanucci garantiu que não bebeu álcool e afirmou ter tido uma discussão familiar no mesmo dia.

FONTE: Terra

Terça-feira, Julho 11, 2006

Perde o emprego, mas não perde a piada!!



Fernando Vanucci, famoso apresentador de programas esportivos, não satisfeito em ser demitido pela Globo, pediu replay na Rede TV. A diferença é que, em vez de ser pego com a boca na bolacha, desta vez ele se entregou mesmo: apresentou, totalmente ébrio, o que deverá ser a sua última participação em televisão. Bem... não sejamos tão cruéis assim. Afinal, ainda lhe resta as propagandas de cerveja!!

Veja com moderação.

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Pílulas de Sabedoria

"Minha avó passou, há um tempo, quase uma semana sem tomar seu habitual coquetel de remédios. Ninguém entendeu nada. Curioso, passei a observar uma das secretárias do lar aqui de casa, cuja incumbência era dar os medicamentos à minha vozinha. Um arroubo epifânico me tomou de assalto o pensamento logo após a primeira frase imperativa disparada pela obtusa e pigmeia secretária supramencionada: 'Engola Denvenir, o remedim que eu truxe.' Tradução: 'Engula Dona Ivani, o remédio que eu trouxe.' Tá explicado, né?! "

Texto apócrifo, traduzido do aramaico e creditado a Pôncio Pilatos

Terça-feira, Julho 04, 2006

Espaço do leitor

“Se a seleção alemã sair derrotada da refrega de logo mais contra a Itália, ela volta para casa?”

Enviado por Joaquim, lá de Traz-os-Montes

D&N: Caro patrício dalém-mar, nosso momentaneamente impedernido editor-chefe manda avisar que nesta questiúncula ele não se mete, pois pressente que vá muito além da Taprobana. Passar bem!

Sábado, Junho 17, 2006

Adeus a um relapso adorável


Bussunda é uma das principais dores-de-cotovelo para os chatos e insuportáveis CDFs brasileiros. Péssimo aluno, ele venceu na vida com aquilo que Deus lhe deu de mais precioso: senso de humor.
O D&N, pois, não poderia deixar de prestar uma homenagem a este humorista que nos deixou hoje pela manhã, mas nos legou eterna imagem de seu largo e sortido sorriso. Boas risadas para você Bussunda, onde quer que esteja!

Bussunda morre de ataque cardíaco na Alemanha

O humorista Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda do programa "Casseta e Planeta", morreu na manhã deste sábado vítima de um infarto em Parsdorf, próximo a Munique, na Alemanha.
O comediante e uma equipe do programa da Rede Globo acompanhavam a seleção brasileira na Copa do Mundo. Bussunda, que completaria 44 anos no próximo dia 25, era casado e deixa uma filha, Julia, de 13 anos.
Em entrevista à GloboNews, o cardiologista Flávio Cure Palheiro, médico particular de Bussunda, disse que a morte do humorista foi uma surpresa já que suas condições de saúde eram normais.

Confira aqui
a matéria na íntegra

Fonte: O Globo Online

Sábado, Junho 03, 2006

Reportagem


Um "Aconchego" de Restaurante

A centenária mangueira, enraizada nos fundos da casa de número 18, no fim de linha do Garcia, é testemunha permanente do entra-e-sai de clientes de um dos mais bem freqüentados restaurantes populares de Salvador. A comida caseira e o ambiente simples formam a marca registrada do “Aconchego da Zuzu”, sucesso gastronômico que atrai clientela variada, mas com um único desejo: comida boa e barata.

“Os preços baixos, associados à atmosfera acolhedora do nosso restaurante, permitem a bolsos e gostos diferentes dividirem um mesmo espaço. Mas nada disso seria possível se a comida não fosse de qualidade”, explica, com a mesma simplicidade com que acaricia o rosto de um dos três netos, João Barroso, 63, dono do restaurante e oficial da Marinha aposentado. O carro-chefe da casa é o Peixe de Escabeche. Acompanhado por arroz e pirão, é bem servido para duas pessoas e custa apenas 24 reais. “O mesmo prato, se fosse consumido em um restaurante um pouco mais refinado, sairia pelo dobro do valor e, talvez, não seria tão saboroso quanto o daqui”, atesta, em meio a ávidas garfadas, Armando Ferreira, 42, economista e pai de gêmeos com nove anos. Outra opção para duas pessoas é o Peito de Galinha grelhado, acompanhado por arroz e salada. O preço? 10 reais.

Seu Barroso, como é mais conhecido, conta que a idéia de criar o restaurante surgiu há pouco mais de oito anos, a partir de sugestões de amigos: “Demorei para levar a sério, mas acabei comprando a idéia”, revela. No início, o Aconchego funcionava apenas às sextas-feiras. Mas, atendendo exigência da clientela, o restaurante passou a abrir as portas de terça a domingo.

MÚSICA - Daí em diante, a cozinha não parou mais de receber pedidos e um novo ingrediente foi acrescentado à receita de sucesso do restaurante: o “Paroano Sai Melhor!”, grupo musical que anima a freguesia. Há quatro anos, ele abriu caminho para a música ao vivo no restaurante, apresentando-se apenas durante as cinco quintas-feiras que antecedem o carnaval.

“Curtir o Paroano no Aconchego era uma delícia. A casa ficava sempre cheia e contagiada pelas marchinhas. Por isso, tento fazer o melhor que posso oferecendo música de qualidade. A responsabilidade é enorme”, diz a cantora Letícia Gabian, 49, que, acompanhada do violonista Horácio Barros e do pandeirista Pedrinho, anima com MPB e Bossa Nova as noites de sexta-feira do restaurante. De quinta a sábado o Aconchego oferece música ao vivo cobrando pelo serviço extra um couvert artístico de cinco reais.

Para embalar ainda mais o show, o restaurante se tornou coqueluche entre celebridades locais e nacionais. Segundo Seu Barroso, entre os ilustres clientes, destacam-se o ator Lázaro Ramos, o deputado federal Roberto Freire e o cantor Lazzo Matumbi.

FAMÍLIA - Para dar conta de tantas responsabilidades e manter a qualidade do restaurante, Seu Barroso conta com o reforço da família. Quase todos os funcionários são parentes e na cozinha quem comanda é a esposa do comerciante, dona Noélia, de 63 anos. “O segredo para fazer uma comida gostosa é muito amor e dedicação”, esconde o jogo.

Diante de uma empreitada em família como essa, o nome do restaurante não poderia ser diferente: é uma homenagem à mãe de Seu Barroso, a senhora Juvência dos Santos Barroso, ou simplesmente, Dona Zuzu, que completou, em 1º de junho deste ano, 99 anos de firmeza e saúde. Tal qual as raízes da centenária Mangueira.


Mural em homenagem à mangueira que se tornou "conviva" ilustre do restaurante

Seu Barroso, dono do Aconchego, depois de muito esforço para conseguir tirá-lo, por alguns segundos, da animação que se instala sempre quando a música ao vivo embala as noites do restaurante

A matriarca da família Barroso comemorando seus 99 anos e já de olho na pista de dança: Dona zuzu é uma exímia pé-de-valsa


REPORTAGEM: Gabriel Pondé

Sexta-feira, Maio 19, 2006

Sobre a mesa, sob os olhares

O meu é completo!!
Alguém já reparou como cada dia da semana tem a cara de alguma coisa? O domingo, por exemplo. Domingo à tarde é a cara de um cineminha com a(o) namorada(o), seguido de uma ida ao McDonald´s que, por sua vez, é seguida de forte remorso sanado apenas com uma sessão terapêutica barra pesada à base de Fantástico. Sábado então, nem se fala! Parece que todo mundo que bebe – e até mesmo os que não bebem – marcam uma cachaça homérica que vai do meio dia até os primeiros ovos começarem a chover – no caso de quem mora em apErtamento.

Nos dias úteis, a história muda um pouco de figura. Um pouco somente, porque varia de pessoa pra pessoa ou de região pra região, mas sob uma mesma motivação. É o que acontece com a sexta-feira. Fim de tarde, depois de uma semana estressante, nada melhor, pra quem mora em Salvador, do que bater aquele acara com uma coca bem gelada e cheia de gás. Hum! Melhor do que isso, só mesmo a resposta que se dá a uma baiana quando interpelado sobre os recheios que deverão compor a iguaria. E pra quem gosta de misturar bastante então... ah, a réplica está na ponta da língua e salivando: “O meu é completo!”
***
Por falar em acarajé, gostaria de lembrar do abará. Lembrar porque sempre foi tratado pelos baianos como segunda opção, uma espécie de step gastronômico. Injustiça! Tanto quanto o acarajé, o abará é delicioso. E assim como o acarajé, o abará de qualidade não é encontrado em qualquer tabuleiro. E digo mais, nem toda baiana que vende um bom acara vende um bom abará. Fato com-provado.

Por isso, lanço mão neste momento do meu aguçado paladar, educado pelos mais finos feijões-fradinho, para indicar uma criteriosa seleção dos melhores abarás da cidade.
And the nominees are...

Encabeçando a lista vem o de Regina, suculento. Pode ser encontrado tanto no Largo de Santana (Rio Vermelho) como na Rua da Graça. Em seguida, um que se notabilizou por ter uma massa bastante delicada e um tom mais esbranquiçado do que o convencional: é o famoso Fino Abará, já indicado diversas vezes pela revista Veja. Encontra-se na ladeira Barão de Loreto (Graça). Por fim, o vendido no Aconchego da Zuzu (fim de linha do Garcia) ocupa a disputada terceira colocação. Ele representa o abará mais escuro e de mas
sa mais grosseira, mas não menos saboroso do que os citados acima.
Agora é só se lambuzar!
AUTOR: Gabriel Pondé
Promoção: As dez primeiras pessoas que deixarem um comentário assaz pertinente sobre este post ganharão um abará completo do Fino Abará. Não perca!! Esta promoção vai até 26/05/2006.

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Crítica

Playground cabeça
Museu da Língua Portuguesa, localizado na antiga Estação da Luz, gagueja no conteúdo em favor de blá-blá-blá audiovisual

POR GABRIEL PONDÉ

Quem vive de passado é museu! Esta frase já virou quase um axioma entre ferrenhos torcedores de futebol aqui na Bahia. Mas, se fosse aplicada ao Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, não passaria de um impropério a ser revisto – e pra já. Afinal, os três andares que compõem o museu são reflexos de uma megalópole movida a lazer, dinheiro e tecnologia de ponta.

A presença de recursos eletrônicos dispostos por todos os cantos do edifício comprova o acuro high-tech empregado na estrutura montada para homenagear o quinto idioma mais falado no mundo. No segundo pavimento, por exemplo, a Grande Galeria - enorme telão de 106 metros que exibe filmes e vinhetas - corta o museu de ponta a ponta guiando os visitantes pelas demais áreas.

Porém, o emprego profuso de bits e bytes não passa de um atraente passatempo. Ou seja, diversão travestida de seriedade. No andar que abriga a mostra temporária em homenagem ao meio século da obra-prima de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, isso fica mais do que patente. Um verdadeiro labirinto lúdico é formado a partir de trechos da terceira edição datilografada da obra e revisada em lápis pelo próprio autor. A questão é que, em vez das veredas que conduzem aos “brinquedinhos” suscitarem uma curiosidade pela leitura integral da obra, a única saída ofertada é se render ao gozo imediato pelos jogos sensoriais e àquela típica sensação de turista deslumbrado, materializada pelos flashs fotográficos.

Evidentemente que existem razões de sobra para explicar tal quadro. E a mais óbvia é que time is money. Na sociedade contemporânea, em que as gerações mais recentes foram educadas visualmente pelo videoclipe e a internet inseriu um novo ritmo de vida, os museus se tornaram instituições anacrônicas. Há tempos que perdem seguidos rounds no embate contra programas culturais menos insípidos, a exemplo de um "cineminha".

Neste sentido, é ponto pacífico que o Museu da Língua Portuguesa seja uma tentativa bem intencionada de desmistificar a imagem de tédio associada aos museus. Não é à toa que ônibus e mais ônibus apinhados de crianças e adolescentes incluíram o endereço da antiga Estação da Luz em seus roteiros. E isso por si só já é bastante significativo - desde que o interesse não se torne rarefeito logo em seguida.

O lado positivo, entretanto, não é suficiente para ofuscar os pecados cometidos pelo museu. E o maior deles está na supervalorização do espetáculo, que acaba por se sobrepor ao conteúdo e passa a ser um fim em si mesmo. O que prova que, em se tratando de museu, não custa nada bater uma bolinha com o passado de vez em quando.

Quinta-feira, Maio 11, 2006

Bastidores do D&N em Sampa


Editor-chefe e estagiária do D&N em momento de confraternização após laboriosa empreitada pelo MASP - Museu de Arte de São Paulo.

Este é o interior do primeiro pavimento do Museu da Língua Portuguesa, localizado na antiga Estação da Luz que hoje serve à linha azul do metrô de São Paulo. Os tunéis são um dos brinquedinhos encontrados na mostra temporária em homenagem à Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

No teto, um imenso varal permite ao visitante observar páginas reproduzidas da terceira edição datilografada da obra e revisadas pelo próprio autor. Para conferir de pertinho os rabiscos e retificações, basta puxar um fio.

Ininteligível?

E agora? Pois bem, este texto é também um dos trechos da obra homenageada pelo museu.

O pulo do gato (neste caso da gata) para visualizá-lo é conseguido através desta engenhoca posicionada estrategicamente.

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Camin çun, visse?!

Nada escapa ao D&N! Nossa equipe de correspondentes foi até a "terra da garoa" farejar o odor acre que exala do caso "Pimenta Neves" e tentar reportá-lo sinestesicamente. No entanto, jornalistas paulistanos rechaçaram nossa equipe da coletiva por não iniciarmos as perguntas com o irritante preâmbulo... “então”. Em decorrência desta ignomínia, mudamos nossa pauta para outro tema menos fedorento, mas não menos polêmico – o Museu da Língua Portuguesa.

Além disso, duas outras postagens acompanham a crítica sobre o linguarudo: uma reportagem sobre passeios culturais na Paulicéia e uma seção com fotos sobre os bastidores desse banho de cultura oferecido pela capital paulista. É pena que desta chuverada respingue em Salvador apenas a versão Checa – e mal tomada, diga-se de passagem. O quê? Como é? Tem bairrista que não gostou? Ah, vai tomar banho!

Sexta-feira, Abril 28, 2006

Sobre a mesa, sob os olhares

No tabuleiro da baiana tem... ou não tem a síntese da culinária brasileira?
Alguns equívocos têm sido cometidos, há tempos, no que diz respeito à culinária brasileira. Há uma ignorância com relação à riqueza e peculiaridades regionais de nossa culinária. Tem-se colocado em evidência, de forma generalizada, o churrasco gaúcho, o leitão à pururuca e tutu à mineira, o pato ao tucupi paraense ou o arroz de cuchá maranhense. Mas elegeu-se, injustamente e de forma generalizada, a culinária baiana, melhor seria dizer a de Salvador, como símbolo da cozinha brasileira. Eis o que diz, por exemplo, Sílvio Romero (1850-1914):
"(...) Basta lembrar que a cozinha genuinamente brasileira, a cozinha baiana, é toda africana".
Com maior lucidez, mas ainda com a atenção voltada para o Nordeste, Câmara Cascudo (História da alimentação no Brasil) chama atenção para o desvio em que nos estacionamos:
"Na culinária brasileira a presença africana torna-se mais sensível e viva na cidade de Salvador. Determinou fama nacional e motivo de registro e propaganda. A cozinha do Pará, tão variada e saborosa, não mereceu ainda a curiosidade pesquisadora que caracteriza a capital da Bahia."
Confira aqui o texto na íntegra.

Quarta-feira, Abril 19, 2006

Comportamento

Sobre meninas e ganchos

Hoje é dia de Santo Expedito. Santo das causas justas e urgentes. Sei, porque vi no Jornal Hoje após ter voltado da aula de Estética. Estética versa sobre o juízo do gosto. "Não gostei" deve ser o que muitos dizem ao final de qualquer peça de uma afamada dramaturga baiana. Essa dramaturga me aprontou uma quando repórter televisivo. Mas já adianto que não darei nome aos bois. O episódio se passou no Teatro XVIII, Pelourinho, quando eu, jovem e inexperiente jornalista, me dirigi a uma senhora aparentemente solícita. Vamos ao diálogo:

- Boa noite – fiquei conhecido no meio pelo meu acuro no tratamento dado aos entrevistados -, a senhora poderia responder a uma perguntinha? É coisa rápida. – conclui, como de costume.

- Claro, é sobre o quê? - indagou, dando em seguida duas baforadas de cigarro Derby em minha cara.

Retruquei que era sobre a peça e reiterei que não levaria mais do que um minutinho.

- Tudo bem. Posso continuar fumando? – disse ela.

A contragosto, respondi que sim. Pedi apenas que não tragasse em frente à câmera. Até porque, seria um desrespeito com o telespectador. Ela consentiu. Para descontrair, fiz até uma analogia com o depoimento de Clinton sobre a experiência de ter fumado maconha na adolescência, mas não ter tragado. Ela nem sorriu. Constrangido, passei para a próxima etapa:

- Nome completo, profissão e idade? – mais uma vez como de costume.

- Como é? – replicou ela, demonstrando sinais de perplexidade, ao mesmo tempo em que pude ver com mais precisão seus dentes amarelos.

- Sim, nome completo... – antes de completar a frase, meu câmera, Vandinho (famoso pelo mau humor), intercedeu pedindo a ela que relevasse minha conduta e argumentou que eu estava começando a carreira. Ela não admitiu. Girou nos calcanhares e se dirigiu ao bar mais próximo. Dava para ouvir os resmungos durante o trajeto. Enquanto isso, o auxiliar de filmagem, seu Andrade (conhecido na externa como O Véio), segredou no meu ouvido a identidade da entrevistada. Como estava fiquei: microfone em riste e bochechas rubras.

Desse dia em diante, tomei pavor à dita cuja dramaturga!

***

Foi hoje também, antes de começar a aula de Estética, que pude folhear a primeira edição do Mimeographo, jornalzinho produzido por meus contemporâneos de faculdade de jornalismo. Ative-me à coluna do professor Maurício Tavares. Fiquei pasmo! Como é que ninguém ainda se manifestou quanto à pífia qualidade dos textozinhos produzidos por ele? Não há nada de extraordinário. Tavares escreve como um de nós: jovens e inexperientes jornalistas. Isto é grave, já que ele se diz o dono da verdade e percorre os corredores da Facom (Faculdade de Comunicação da Ufba) fazendo pose. Pose esta que ele próprio vocifera contra. Eis um trecho: “O professor é bem representativo do quadro atual do ensino nas universidades e faculdades que abundam por aí. E não excluo a que eu dou aula. Aquele tipo de pessoa ‘genial’, com declarações assertivas, muita bobagem travestida de profundidade e pose. Muita pose.” Paradoxo é pouco!

***

A esta altura, você deve estar se perguntando “mas que diabos tudo isso tem a ver com o Santo Expedito?” Chegou a hora de comprovar o que nosso título preludia.

Aproveitando o gancho da estréia mundial em 19 de maio do filme O Código da Vinci, baseado em best-seller homônimo escrito pelo inglês Dan Brown, cujo mérito se restringe a mensagens cifradas e um bom bocado de anagramas, elucido a aparente gratuidade.

Santo Expedito era comandante-chefe da XII legião, aquartelada na cidade de Melitene, no final do século III. Portanto, ele era romano. Pois bem, partindo a palavra chegamos a outras duas, a saber: Roma e ano.

Roma: com um pouco de esforço retrospectivo e cultura histórica chega-se à Idade Média, quando, por um considerável período, esta cidade foi dominada pelo Reino Franco. "Franco" é uma pista bastante quente para se chegar à identidade da dramaturga supracitada. Percebeu?

Ano: bom... "ano" não precisa de nenhum background intelectualóide. Basta colocar sua mente fértil para trabalhar que um paralelo com as práticas tavarianas será estabelecida. Uma dica: antes de sua conversão ao Cristianismo, Santo Expedito tinha uma vida devassa. Danadinho!

AUTOR: Gabriel Pondé

Terça-feira, Abril 04, 2006

Crítica

"Isto é uma vergonha!"

O Repórter Esso foi a primeira experiência de sucesso no incipiente cenário telejornalístico brasileiro da década de 50. De lá para cá, muita coisa mudou. A influência radiofônica, paulatinamente, cedeu lugar às experimentações com a nova linguagem que então engatinhava: os antigos apresentadores de Rádio foram sendo substituídos por profissionais mais íntimos das especificidades do meio televisivo.

Quantitativamente, houve um boom no número de telejornais diários ao longo dos últimos anos, tanto das redes abertas quanto das TVs a cabo. Além disso, os repórteres que apresentam os jornais eletrônicos foram alçados ao patamar de “estrelas”, a exemplo dos queridinhos William Bonner e Fátima Bernardes.

Mas a principal mudança do telejornalismo brasileiro foi o transplante do modelo de ancoragem norte-americano para a nossa realidade profissional. A figura do âncora (aquele que além de apresentar exerce o papel de editor-chefe do jornal) passou a representar para o público os conceitos de credibilidade e seriedade na transmissão das notícias.

Com isso, estava dado o pontapé inicial para transformar o telejornal no segundo produto mais rentável para as principais redes de televisão do País, desbancado somente pelas telenovelas. A mais bem-sucedida experiência em ancoragem do País é a capitaneada pelo jornalista Boris Casoy no Jornal Record.

ESTILO IANQUE – Com seu carisma e maturidade profissional – conseguida durante o longo período em que exerceu o cargo de editor-chefe do Folha de S. Paulo – Casoy forjou um novo modelo de apresentação, amalgamando o paradigma dos similares “ianques” ao estilo inédito de inserir comentários – por vezes cáusticos – em meio ao noticiário.

Entretanto, parece que o exemplo de Boris Casoy está sendo mal interpretado por alguns colegas de profissão. O que se tem constatado em outros jornais eletrônicos é uma deturpação da visão do papel do âncora, transformado em um animador de notícias.

Paulo Henrique Amorim, por exemplo, não distingue o joio do trigo e, na tentativa de atingir todas as camadas sociais, confere um tom demasiadamente informal às suas reportagens e entrevistas.

É bem verdade que a postura destes novos “âncoras” está em plena conformidade com a atual tendência de mercado, de tornar os telejornais cada vez mais atraentes aos olhos e ouvidos dos telespectadores. A determinação é clara e objetiva: não permitir que a audiência migre para outros canais.

Para tanto, o telejornalismo vem seguindo a fórmula do entretenimento, ou melhor, do showbusiness, a fim de tornar-se menos insípido ao gosto popular. Mas será que, ao adaptar o modelo de ancoragem do “Tio Sam” ao contexto social, político e econômico do Brasil, os nossos jornalistas não pesaram demais a mão?

O futuro do jornalismo em geral será o da supremacia da forma em detrimento do conteúdo? Teremos um dia um telejornalismo sério e descomprometido com a oscilação nos pontos do Ibope? Como diria Boris Casoy, com seu dedo indicador em riste: “Isto é uma vergonha!”

FONTE: Jornal A Tarde AUTOR: Gabriel Pondé

Retrô

As fotos acima registram a Praça Castro Alves e o Cine Teatro Guarany; o Farol da Barra (ou Forte Santo Antônio) durante a passagem do dirígível Reich pela Bahia; e o Elevador Lacerda.

Quarta-feira, Março 29, 2006

Extra, extra


Maravilha, a heroína baiana!!!

Um milhão de reais, dois automóveis 0km, uma bolsa de estudos num curso de inlglês e muita, mas muita fama! Esta é a singela lembrancinha que a baiana Maria Nilza Viana dos Santos, 33, auxiliar de enfermagem, vai levar junto consigo para Porto Seguro, depois de vencer o BBB6 com 47% dos votos.

Mara, como ficou conhecida entre os brothers e sisters, entrou na segunda casa mais vigiada do país - depois da casa do Lago Sul -, com apenas um telefonema e a pedido da filha Aracy. Após ser sorteada, ela ingressou com pé direito no jogo milionário e mostrou que nem sempre rodar a baiana é um mau negócio. Bateu testa com Thaís, Gustavo e Rafael (o que lhe custou dois paredões) mas manteve-se firme a ponto de lançar mão da bufunfa ontem a noite, quando, sob chuva de papel picado, atravessou a passarela da eliminação para se reencontrar com a família e os BBBs.

A cena se passou logo após Bial anunciar o resultado. Em meio à euforia, o apresentador-intelectual – talvez ele prefira intelectual-apresentador – indagou a campeã da seguinte forma: “E agora, quais são as suas primeiras palavras como milionária?”. E em bom baianês a sortuda retrucou: “Oxe, agora eu tô chique!”

Quem não deve ter gostado nem um pouco dessa história é o conterrâneo e penúltimo vencedor do BBB, Jean Willis. A nova conjuntura pode acarretar em uma mudança de planos do repórter predileto do Louro José para o carnaval 2007, no bloco Os Mascarados. Por fontes seguras, a redação do D&N soube que Jean desistiu de se fantasiar de Mulher Maravilha. Por quê? Pelo forçoso trocadilho entre o nome da campeã de Camacã e a heroína mais gostosa dos quadrinhos. Vai entender esses brothers!!
AUTOR: Gabriel Pondé

Entrevista

Corre axé nas veias de Guerreiro

Fernando Ferreira de Carvalho, 44 anos, mais conhecido como Fernando Guerreiro, é graduado em Economia, porém não resistiu ao chamado dos palcos e se tornou um dos mais renomados diretores de teatro da Bahia. Em 28 anos de carreira tem motivos de sobra para comemorar: coleciona 45 peças sob sua direção, entre elas A Bofetada, Os Cafajestes e o mais recente sucesso Vixe Maria! Deus e o Diabo na Bahia. Já há algum tempo flerta com os espetáculos musicais, mas só no ano passado é que o caso ficou sério: ele dirigiu o troféu Dodô e Osmar, realizado no teatro Castro Alves, e o mega show na Fonte Nova intitulado Axé pra você – Ato de Solidariedade. Em entrevista exclusiva ao D&N, Guerreiro, tal qual uma metralhadora, não parou de falar um segundo sequer. Prova de seu viço intelectual e de que está mais vivo do que nunca. Afinal, atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu!

Dendê & Notícias – Dirigir um espetáculo musical difere muito de uma peça teatral?
FG – É outro esquema, outra estrutura. Um espetáculo musical tem características próprias e o artista é o centro dele. Então, de alguma maneira, você tem que estar a serviço do artista, do estilo dele. É um trabalho que você vai criar uma assinatura em função de uma assinatura que já é do artista.

D&N – É difícil criar esta “assinatura”?
FG – Para o artista, normalmente, já existe uma fórmula, ele já conhece o público, já tem uma estrada, então o trabalho é muito mais de dar uma lapidada. Não existem mudanças estruturais muito fortes. É muito mais uma observação.

D&N – Em sua opinião, qual a contribuição de Fernando Guerreiro para o projeto Axé Pra Você e o troféu Dodô e Osmar?
FG – Eu sou um elemento de fora do carnaval. Então eu acho que a minha contribuição foi, basicamente, ter trazido diversidade. Eu sou o elemento questionador. Minha função, neste caso, foi trazer uma outra leitura.

D&N – Como foi produzir um mega show?
FG – Nós criamos algumas apresentações fora do palco e geramos um espetáculo dinâmico. Porque as pessoas pensam assim: um show com 18 artistas só acaba lá para as 6 horas da manhã. Mas não. A dinâmica é importante para que o show não fique muito longo e cansativo.

D&N – Do ponto de vista artístico, o que a Bahia ganha com um evento como esse?
FG – O Axé Pra Você chega em um momento muito importante em que os artistas da Bahia começaram a pensar no social – conjuntamente. Então eu acho que a grande força desse evento é essa possibilidade de consciência social.

D&N – Você pretende participar de mais eventos que envolvam artistas da axé music?
FG – Há sempre uma disponibilidade, mas depende muito da proposta e do meu nível de interferência. Porque eu simplesmente assinar não vale a pena. Eu acho que tem muitos artistas talentosos no reino do axé.

AUTOR: Gabriel Pondé

Reportagem

[...Em construção...]

Sexta-feira, Março 24, 2006

Crônica


Desce mais uma, parceirão!

- O moleque é inteligente!
- Quem?
- Oxe, como quem? O filho do Joca. A gente estava falando dele agorinha mesmo, já esqueceu?
- É verdade, deve estar um rapagão. Eh... O tempo passa rápido demais! Outro dia, rapaz, nós estávamos no aniversário de um ano deste moleque. Tá lembrado da babá?
- E como é que eu poderia esquecer, me diz? Que tesão! Que bundinha! Ai se eu tivesse naquela época meus vinte e poucos...
- Deixe de historinha, porque você sempre foi guarnição.
- Guarnição?
- É. Destes que só acompanham e não fazem NADA!
- Ah, é? Então eu vou começar a largar os seus podres...
- Ô idiota, não tem ninguém além de nós dois aqui no bar do mêa nove. Não tá vendo, não? A propósito, já é notório meu passado como TED! Mas me diz aí, o que é que você tava falando mesmo?
- Pô, que o menino é inteligente pra caramba!
- Inteligente por quê? Só por causa da feiura?
- De onde é que você tirou isto?
- Ele é feio, sim, e todo mundo acha que feiura é atestado de inteligência.
- Você enlouqueceu, isso, sim.
- Loucura nada! Basta nascer uma criança pra todos os parentes e amigos mais próximos chamarem de inteligente. Basta soltar um pum... e pronto, certa semelhança com os flatos de Einstein já foi estabelecida.
- Essa é boa, quer dizer que...
- Deixa eu terminar. Ninguém de primeira acha que uma pessoa bonita é inteligente. E, quando alguém é bonito e incontestavelmente inteligente – e bem sucedido –, sempre aparece um pra dizer “só porque é bonitinho”.
- Que idéia de jerico é essa?
- Quer ver só? O telejornalismo é um ótimo exemplo. Você acha que os repórteres e os apresentadores de telejornal estão ali somente pela carinha bonitinha?
- Mas e esse tal de Naked News? Sem querer citar nem a biba do Casemiro.
- Isso é uma exceção. Eu estou falando dos jornalistas que apuram as notícias e que redigem seus próprios textos.
- Sim... mas eles conseguiram se diferenciar do resto, justamente, pela beleza.
- Que mal há nisso? A beleza, tal qual a inteligência, não é uma característica inata do ser humano? Aliás, as duas coisas não podem ser aprimoradas ao longo da vida? Ou você acha que o governador Schwarzenegger conseguiu aquele corpinho de miss universo e Einstein chegou àquela equação da Teoria da Relatividade como, com maçãs caindo na cabeça de ambos os dois?
- De ambos os dois?
- Hum... é... vamo mudar de papo que os meus neurônios já estão com sede.
- Os meus também. Desce mais uma?
- É craro cróvis! Pede pro barriguinha.
- Desce mais uma, parceirão! E bem gelada!

AUTOR: Gabriel Pondé

Quarta-feira, Março 22, 2006

Reportagem


De “camisa” na avenida!

Avenida Sete de Setembro, década de 1940. Do alto de carros alegóricos, rainhas e princesas acenam para os foliões. Do chão, pierrôs e colombinas destilam alegria. Todos estes personagens desciam a avenida disputando espaço com famílias e mais famílias de soteropolitanos que colocavam banquinhos nas portas das casas e sobrados para assistir o cortejo passar. “Não existia um padrão para as fantasias. Criatividade era a palavra de ordem no carnaval daquela época”, relembra a atriz e diretora de teatro Nilda Spencer, 81 anos, 51 deles dedicados à arte de representar.

Com a chegada dos turbulentos anos 60, período de repressão militar e de surgimento da contra-cultura, uma nova fantasia invade o mapa da folia: a mortalha passa a dividir a avenida sete com as antigas fantasias de Carnaval. A princípio utilizada como protesto à ditadura, com o tempo a mortalha foi perdendo o significado político e se rendendo à irreverência momesca.
“Foi moda durante muito tempo os homens colocarem as paqueras dentro da mortalha e saírem desfilando. Era uma forma de descontração e de se dar bem com as meninas também”, relembra, esboçando um sorriso maroto, Rafael Sessenta, 56 anos, um dos fundadores do Bloco do Barão. Com a popularização da mortalha, os blocos não pensaram duas vezes: adotaram a nova fantasia que logo se tornaria, junto com o trio elétrico, um dos principais símbolos do carnaval baiano durante os anos 70 e 80.

CAMISA DA FOLIA - “Apesar do conforto e da praticidade, a mortalha já não combinava com os novos tempos de conquista sexual. Era muito pano. As mulheres, então, passaram a dar um jeito de encurtar as fantasias”, explica Pedrinho da Rocha, 48 anos, designer e publicitário. Em 1993, Pedrinho traduziu a tendência das ruas em uma nova fantasia de carnaval. Eis que surge o abadá, palavra de origem ioruba que significa camisa. “Eu já tinha criado uma fantasia estilizada de Kimono para o Cerveja&cia. Daí surgiu a idéia de criar uma outra, com base no abadá usado pelos capoeristas.”

O primeiro bloco a apostar na idéia foi o Eva, na época puxado por Durval Lelys. O mago durvalino, inclusive, foi quem estimulou Pedrinho a manter o nome. “Sugeri prapular, mas Durval achou melhor abadá, disse que era mais sonoro”, explica Pedrinho. No ano seguinte, além do Eva, mais cinco blocos aderiram à novidade, entre eles o Camaleão e o Pinel. Desde então, as mortalhas foram sendo substituídas pelo abadá – e quem saiu ganhando foi o folião. “Morria de calor com aquela trouxa de pano enorme. O abadá tem muito mais a ver com o clima da cidade e do carnaval”, diz Adriano Correia, 28 anos, gerente de banco.

As fantasias do carnaval baiano passaram por uma evolução. E por onde elas passam também houve mudanças. Na rua, os banquinhos foram recuando diante das cordas que dividem os foliões pipocas dos blocos. Mas uma coisa não mudou: o espírito festivo e animado de Momo continua a freqüentar estas bandas todos os anos, independente do pedaço de pano que reveste o folião.

FONTE: Jornal Resumo da Folia REPORTAGEM: Gabriel Pondé


O pai da criança

Pedro Barbosa da Rocha Júnior poderia se chamar trabalho. Aos 15 anos começou a trabalhar na empresa de cozinha industrial do pai. Seis anos depois, abriu a própria empresa neste ramo e, ao mesmo tempo, foi contratado como designer pelo bloco Trás os Montes. A partir daí sua carreira decolou no universo do entretenimento. Ele trocou, definitivamente, o fogão pelo trio elétrico. “Larguei minha empresa e me dediquei aos blocos de carnaval, meus principais clientes.”

Para Pedrinho da Rocha, pai do abadá, a fantasia não foi uma revolução no carnaval: “Pra minha carreira, ter inventado o abadá não mudou em nada. Acho que o carnaval ganhou muito mais quando tive a idéia de criar uma fantasia por dia para os blocos. Os balcões de venda de abadá só existem por causa disso.” Hoje em dia, Pedrinho é dono de uma agência de publicidade e design e um dos profissionais mais requisitados no mercado da folia.

FONTE: Jornal Resumo da Folia AUTOR: Gabriel Pondé